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04.08.2009
O vandalismo nas escolas preocupa pais, professores e os próprios alunos. Para firmar as ações de combate à violência nas unidades de ensino da rede pública estadual, representantes de entidades estudantis do Rio Grande do Norte se reuniram na manhã de ontem com o Secretário Estadual de Educação, Ruy Pereira, para discutir a lei estadual “Paz nas Escolas”, promulgada em 2006 e ainda sem implementação. O objetivo é prevenir e controlar a violência nas escolas, evitando a repressão dos alunos. Estiveram presentes também a Central Única das Favelas (Cufa) e a Posse Hip Hop Lelo Melodia.
A primeira medida foi a criação de uma comissão para atuar diretamente nas escolas, que já começou desde ontem. Segundo a coordenadora do Ensino Fundamental da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (Seec), Salizete Freire Soares, a Escola Estadual Anísio Teixeira e o Colégio Estadual do Atheneu Norteriogradense foram os primeiros beneficiados. “Serão feitas discussões com toda a comunidade escolar, pais, alunos, professores, grêmios estudantis. Queremos discutir o papel do pai, quem é o aluno, qual o percurso que ele já fez na rede de ensino, se ele já teve algum problema em outra escola”, disse a coordenadora.
A iniciativa da edição de uma lei neste sentido foi do deputado Estadual Fernando Mineiro (PT) e determina que, em cada unidade de ensino da rede pública estadual, haja um Conselho de Promoção da Paz nas Escolas, formado por professores, funcionários, especialistas em educação, alunos, pais e representantes ligados à comunidade escolar. Para coordenar as ações desse Programa, a Lei impõe ainda que seja criado um Conselho Estadual e Conselhos Regionais.
Segundo Salizete Freire, as propostas da Lei casam com as propostas da Secretaria. “Além disso, foi criado Fórum de Discussão nas Escolas, em parceria com a Secretaria Estadual de Segurança, estimulando a realização de palestras e debates em substituição àquele pensamento de militarizar a escola, com soldados ou policiais nas portas”, disse Salizete Freire.
Para o professor de português Vanduí Guedes, falta um acompanhamento dos pais na educação dos filhos. “Os pais estão jogando toda a responsabilidade de educar as crianças só para os professores. Mas esse dever continua sendo deles. Nós não podemos impôr nada, exigir ou proibir, porque são eles que devem fazer isso”, disse.
Ele contou que já foi vítima de agressão de uma aluna quando dava aulas para o Ensino Médio do Atheneu. “Eu disse que a aluna não podia sair da sala naquele momento e ela forçou a situação. Quando eu peguei na maçaneta para impedir, ela me empurrou e eu não caí por muito pouco. Mas a minha reação foi de paciência porque é assim que nós devemos lidar com isso”, reforçou.
Salizete Freire informou ainda que, apesar da intenção de não intimidar, a utilização de câmeras nas escolas faz parte do quadro de sugestões da Secretaria. “Nós não estamos trabalhando nisso, porque leva tempo contratar a empresa, fazer a licitação e todo o processo. Mas nós queremos combater a raiz do problema. Queremos soluções que resolvam, não que reprimam. Enquanto isso, vamos mobilizar as escolas para fazer uma discussão mais integrada”, disse.
Memória
Tudo que existe tem mais de um significado. Como no esporte, um é contra e o outro é a favor. Mas uma atividade com tantas boas propostas para a educação como unir, ensinar e ocupar o tempo acaba trazendo graves prejuízos para alguns estudantes, porque muitos casos de violência nas escolas do Rio Grande do Norte, envolvem as torcidas organizadas dos times de futebol.
A TRIBUNA DO NORTE divulgou há pouco mais de uma semana, uma reportagem sobre as gangues de Natal, em especial as torcidas do América e do ABC. Na reportagem, o Ministério Público se mostrou preocupado com o aumento no número de brigas entre torcedores de times rivais que acontecem nas escolas. Além de alunos de unidades diferentes, alguns casos acontecem com os estudantes da mesma escola. O site de relacionamentos Orkut foi citado como um dos principais meios de comunicação e ameaça das torcidas.
Fonte: Tribuna do Norte
Tags: Criança e adolescente, mandato na imprensa