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22.08.2008
Foi-se o tempo em que ter apenas o curso superior era o suficiente para oferecer uma educação de qualidade. Hoje muito mais do que um diploma, são necessários cursos de especialização, qualificação, mestrado e doutorado. Responsabilizados por grande parte da queda de qualidade no ensino, eles estão enfrentando uma verdadeira corrida contra o tempo para se adequarem a essa nova realidade.
“A melhoria da educação em Natal, como em todo Brasil, está estritamente relacionada ao investimento na formação dos professores que estão em sala de aula. É preciso qualificar os professores para que eles possam passar uma educação de qualidade para os alunos, sobretudo aqueles da Educação Infantil e Ensino Fundamental, já que é nessa fase que as crianças estão mais abertas para o aprendizado”, explicou a coordenadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação, Cláudia Santa Rosa.
E essa é uma das atribuições da Secretária Municipal de Educação, investir na qualificação de seu corpo docente para que ele ofereça um serviço de qualidade para as crianças. Em Natal, a SME vem realizando algumas ações nesse sentido. De acordo com a secretária adjunta de gestão pedagógica, Cristina Leandro, só em 2007 foram gastos, aproximadamente, R$700 mil na qualificação de professores. Para 2008, 19,40% do orçamento da secretaria foi destinado ao investimento para projetos e programas de qualificação.
“Todos os professores que entram na rede municipal fazem curso de qualificação. A SME tem uma política de formação que atua na formação inicial e na continuidade dos estudos, oferecendo cursos de graduação e pós-graduação. Além disso são oferecidos cursos de qualificação na área de informática, leitura e também projetos voltados para o bem estar físico e mental dos nossos professores”, disse Cristina Leandro.
Entre os cursos oferecidos pela SME estão a graduação em Pedagogia, uma parceria com o Instituto Kennedy, especialização em Matemática, especialização em Educação de Jovens e Adultos. Há quase dois anos a SME tem um local apropriado para a realização de cursos como informática, é o Centro municipal de referência em Educação Aluízio Alves.
O município conta com 3.750 professores e pelas estimativas da secretária adjunta 100% deles já participaram de algum curso de qualificação e formação oferecidos pela SME. “Não que todos os 3.750 professores tenham feito todos os cursos, mas pelo menos em um deles, os docentes estiveram presentes. Além disso, as próprias escolas têm uma sistemática de estudos que possibilita com que os professores se atualizem”, disse.
Isso porque das 20 horas que os professores tem que oferecer ao município, 16 horas são em sala de aula e as outras quatro horas são para serem utilizadas em planejamento, estudo individual e coletivo, de acordo com a necessidade de cada profissional e instituição.
Para a secretária municipal de Educação, Justina Iva, o investimento na qualificação demonstra o grau de comprometimento com o processo de qualificação de seus professores e conseqüentemente com a qualidade do ensino. “Hoje, dos 3.750 professores do município, apenas 33 possuem apenas o nível médio, o restante possui nível superior e desses, grande parte possui algum tipo de pós-graduação”, disse.
Docentes concluem curso de licenciatura
Este ano, 120 professores e 80 funcionários da Secretaria Municipal de Educação estão concluindo curso de licenciatura, outros 50 estão fazendo especialização em Matemática, uma parceria entre a SME, o Instituto Kennedy, UFRN e UFPB. Um deles é o professor Luiz Pedro, que depois de 30 anos está retornando aos bancos da universidade.
“Voltei com força total, preciso me qualificar e me atualizar. Aproveitei a oportunidade da Secretaria de Educação e hoje estou fazendo um curso de especialização em Matemática e um curso de informática. Temos que estar preparados para os alunos que já dominam o universo virtual”, disse Luiz que está na profissão há 21 anos.
Assim como Luiz, outros 359 professores estão na sala de aula, mas como alunos, aprendendo a utilizar esse equipamento que para muitos era considerado um bicho de sete cabeças: o computador. “Aqui no CEMURE são oferecidos 18 cursos ligados à área de tecnologia, como informática básica, internet, curso de vídeo, entre outras atividades, todas voltadas para a sala de aula”, explicou a coordenadora pedagógica do Núcleo de Tecnologia do CEMURE, Elizete Arantes.
A professora polivalente, Cristina Pereira Santiago, que há 22 anos trabalha em sala de aula, nunca se interessou em realizar cursos de qualificação. Hoje, depois da segunda aula de informática, a opinião dela é totalmente diferente. “Eu nunca tinha me interessado nesses cursos de qualificação, mas hoje eu vejo a importância de se aperfeiçoar. E o melhor, totalmente de graça”, disse Cristina.
Além desses cursos de capacitação, o CEMURE disponibiliza aos professores e funcionários da SME um espaço para atividades de vivência, com o objetivo de propiciar a prevenção, recuperação e manutenção dos servidores, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida do profissional.
São aulas de oficina vocal, ginástica postural e fortalecimento muscular, alongamento, yoga, dança, entre outras atividades.
“Hoje são mais de 100 professores participando desses projetos de vivência. Não é só a qualificação profissional que eleva o nível do professor, ele também tem que estar bem física e emocionalmente. E aqui eles podem fazer essas atividades”, disse a coordenadora de projetos e eventos do CEMURE, Andrezza Costa.
Entre os cursos de pós-graduação oferecidos pela SME, está a especialização em Educação de Jovens e Adultos. “Todos os professores do EJA fizeram essa especialização e estão mais preparados para lidar com esse público diferenciado”, disse a secretária Justina Iva.
Um outro projeto da SME nessa área é uma parceria com o Universidade Aberta, através do CEFET, que vai oferecer três cursos: Meio Ambiente; Literatura; e
Português e Matemática e graduação em Licenciatura em Espanhol. O início das atividades está programado para 2009.
Dez porcento dos professores da rede estão licenciados
Apesar de toda essa preocupação com qualificação e bem estar dos seus professores, a Secretaria Municipal de Educação ainda enfrenta problemas oriundos da falta de estímulo e problemas de saúde dos docentes. Hoje cerca de 10% dos professores estão licenciados seja para tratamento de saúde, pós-graduação e para resolver assuntos de interesse pessoal.
“Existe uma lei que permite aos professores o direito a conseguir licenças para determinados fins e a SME não pode ir de encontro a isso, o que nós podemos e estamos fazendo é tentar minimizar o problema que isso pode causar, como por exemplo, o atraso no ano letivo”, disse a secretária adjunta de gestão pedagógica, Cristina Leandro.
Segundo ela, está sendo constituído um grupo, formado por representantes das escolas, do departamento pedagógico, recursos humanos e gestão escolar para discutir o que poderá ser feito para evitar que essas licenças, uma conquista da categoria, seja utilizada de forma indevida por alguns professores.
Questionada sobre o fato de alguns professores se utilizarem de seus conhecimentos pessoais para deixar a sala de aula e assumir uma função administrativa, a secretária de educação foi enfática. “Na SME não existe mais isso. Acabamos com a ‘peixada’, nossa prioridade é a educação. O lugar dos professores é a sala de aula e não as repartições”.
Apesar disso, a secretária admitiu que alguns professores estão exercendo funções administrativas porque a SME não tem um corpo técnico e, por isso, foi preciso retirar alguns professores da sala de aula (ela não soube precisar quantos) para exercer essas funções. A SME sabe que esse tipo de coisa existe, mas é muito difícil encontrar as pessoas que estão utilizando desse artifício porque não existem denúncias fundamentadas.
“As poucas pessoas que chegam para fazer as denúncias não querem dizer o nome do professor, nem da escola. Dessa forma fica difícil punir as pessoas. Quando essas pessoas são identificadas, a SME toma as providências”, disse Justina Iva.
A secretária citou o exemplo de uma professora que pediu licença do município para tratamento de saúde, mas foi flagrada dando aula em uma escola particular, durante o período da licença.
“Nesse caso, a SME teve como tomar providências. Nosso departamento jurídico procurou a professora e explicou que se ela continuasse agindo dessa forma, seria aberto um processo administrativo que poderia culminar no desligamento dela do quadro do município”, disse a secretária adjunta de gestão pedagógica, Cristina Leandro.
Para a coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte, Fátima Cardoso, a valorização do professor, com a melhoria salarial é uma das soluções que pode amenizar esse problema.
Fonte: Tribuna do Norte
Tags: Natal 2009 - Desafios e Metas