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23.03.2009
Não fosse o fato do Rio Grade do Norte viver com uma grande variabilidade climática, onde chove pouco e de forma irregular, os problemas da seca seriam bem menores, assim acredita a assessora técnica da Secretária de Estado do Meio Ambiente Recursos Hídricos (Semarh), Joana D’água Freire de Medeiros, uma vez que o Estado possui uma rede de açudagem bem extensa. Segundo ela são cerca de três mil açudes, isso somando os 46 com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos, com os particulares de menor porte. ‘‘Temos uma boa quantidade de reservatórios, a questão é que chove pouco nessa região, então em anos de seca, fica difícil abastecer todo RN, principalmente a zona rural. Por isso o programa de adutoras e construção de novos açudes são prioridades no governo, para que nos períodos de estiagem possamos amenizar o problema da falta d’ água’’, declarou.
Joana lembrou que outra dificuldade do RN é que a maioria das zonas rurais são abastecidas pelos açudes particulares, que são menores e não possuem capacidade suficiente para suprir a necessidade do homem do campo. Ela destacou que dos 46 reservatórios monitorados diariamente pela Semarh, com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos, a maioria está atualmente com a capacidade quase preenchida e que alguns já estão sangrando, mas que isso não garante água para todas as regiões do RN, pois como foi dito anteriormente, a maioria dos distritos são abastecidos por açudes particulares e é exatamente por isso que a Semarh prioriza a água para consumo da população e não para agricultura. ‘‘A questão da falta d’água em algumas localidades está ligada a incapacidade dos reservatórios de pequeno porte suprir as necessidades da população. Termos conhecimento da necessidade do homem do campo, que trabalha com agricultura, contudo priorizamos o consumo humano’’, afirmou.
A assessora técnica disse ainda que o governo do estado está ampliando a rede de adutoras do RN, com o objetivo de levar água para as regiões que ainda sofrem muito com a estiagem. Na opinião dela uma medida que melhora a situação de muita gente, mas que ainda não atende as necessidades do setor produtivo. Questionada se existe uma saída para atender esse setor ela declarou que só seria possível com mudanças no clima e que isso não depende do homem. Animada com o projeto de integração de bacias do Rio São Francisco, Joana acredita ele vai levar água para comunidades que hoje sofrem com a estiagem, como é o caso da região do Seridó. Ela explicou que com as águas do Rio São Francisco será possível construir adutoras que levem água para as regiões mais distantes do Seridó. ‘‘Para termos uma adutora naquele trecho é preciso um manancial que abasteça a adutora e até agora não temos, é por isso que a adutora daquela região ainda não foi concretizada, mas está dentro do cronograma do governo’’, afirmou.
Ela enfatizou também ser indispensável para o RN os mananciais de água subterrânea, conhecidos como poços, e que abastecem por exemplo Natal, sem eles não seria possível abastecer toda cidade, pois só os mananciais naturais são insuficientes para demanda e por isso deve ter nesse caso uma atenção especial pois alguns estão contaminados com o Nitrato.
Consciente de que proteger os mananciais é importante, ela defende uma maior conscientização da população para essa necessidade. Joana acredita que a falta de saneamento básico nas cidade é que prejudica os mananciais, e lembrou que não só Natal, mas a maioria das cidades do interior não possuem saneamento básico, conseqüentemente está poluindo os mananciais. ‘‘Se não resolvermos a questão do saneamento básico, vai chegar um tempo que os mananciais naturais não terão mais condições de abastecer as cidades’’, alertou.
Fonte: Diário de Natal
Tags: Dia Mundial da Água, Meio Ambiente