As cerca de 150 mil famílias beneficiadas com o Programa do Leite no Rio Grande do Norte estão ameaçadas de perder o fornecimento, caso o Governo do Estado não quite a dívida com produtores e usineiros. A crise no setor leiteiro já ultrapassa os limites de tolerância e muitos pequenos produtores e até usineiros estão fechando as portas. Centenas de famílias de pelo menos três bairros da Zona Norte de Natal já estão sem o fornecimento, devido a paralisação das atividades de muitos produtores e ao fechamento de usinas no interior do Estado. A dívida do Governo do Estado com fornecedores e usineiros, referentes aos últimos 45 dias e mais três meses do ano passado é de R$ 11,5 milhões.
![]() Fábio Cortez/DN/D.A Press. // Dívidas chegam a R$ 11,5 mi e estão provocando uma verdadeira quebra na atividade, além de prejudicar beneficiados. |
A crise acomete o setor desde 2010, quando a gestão anterior atrasou pagamento dos três últimos meses do ano, num montante de cerca de R$ 10 milhões. Deste valor do ano passado, o governo praticamente quitou a dívida com os produtores, mas ainda não pagou à indústria cerca deR$ 4 milhões. Mas o atual governo também está em atraso com o pagamento aos produtores e usineiros, numa dívida que somente este ano chega a R$ 7 milhões. O resultado é que a produção caiu cerca de 30% e ocorre o fechamento de postos de trabalho, além da venda de vacas leiteiras para o corte. Outros produtores que subsistiram à crise ainda conservam algumas vacas, mas já não confiam mais no Governo do Estado e preferem vender o leite in natura de porta em porta, fornecer para o estado de Pernambuco ou para queijeiras.
Segundo o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindleite/RN), Francisco Belarmino Macedo Neto, está havendo uma verdadeira quebradeira no setor. O Rio Grande do Norte produzia cerca de 155 mil litros de leite por dia, mas os frequentes atrasos provocaram uma reação em cadeia na bacia leiteira, provocando queda na produção de leite e, consequentemente o fechamento de quatro das 26 usinas de pasteurização. "Muitos produtores pediram dinheiro emprestado epagaram com juros, sofrendo uma total queda dos rendimentos e não tiveram como mais investir na produção. Uma matriz que vai para o machado deixa de produzir o leite e não deixa as crias para manter o ciclo e, com isso, não dá continuidade à atividade", esclarece.
Além disso, os produtores reclamam que o preço do litro do leite de R$ 1,26, pago pelo Governo do Estado, está defasado. Somente o custo de produção é acima de R$ 1, mas os produtores só recebem o equivalente a 60%, ou seja R$ 0,73, o restante ficam as usinas, ou seja, cerca de 40%.
Produção que fecha gera desemprego
A atividade leiteira é pujante e vem crescendo em todo Nordeste, mas no RN ela vem enfrentando uma crise que já dura de sete a oito anos. Para o presidente da Associação dos Produtores de Leite e Derivados, Lirani Dantas, se o programa não servir mais que o governo o acabe. "Só não é justo massacrar a todos nós como está acontecendo. Não temos mais como aguentar a situação. O produtor vive disso para sustentar a família, porque a pecuária do leite é uma das poucas que gerem emprego no interior e muitos ainda têm que pagar trabalhador, comprar remédio e ração para o rebanho. Cada microempresa dessa que fecha, ou cada litro de leite que não chega na casa de uma família, representa desemprego no interior do estado, onde praticamente inexistem fontes de emprego e renda", diz Lirani Dantas.
Assim que foi implantado o Programa do Leite, o setor viveu sua melhor fase. "Tínhamos um preço diferenciado no país, mas hoje temos a pior referência, somos lanterna. Começamos com 3 usinas e se chegou a 30. Começamos com 300a 400 produtores, chegou-se a mais de cinco mil. Por dia, o RN chegou a produzir cerca de 600 mil litros de leite, média que caiu depois para 450 mil. Deste total, cerca de 155 mil litros ia para o Programa do Leite, outros 300 mil para queijeiras e 145 mil para fábricas de bebida láctea ou vendido in natura".
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Fonte: Diário de Natal

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