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24.08.2010

Lula fez campanha para Dilma no ABC Paulista

Foto: Operárias do ABC paulista

Ninguém ousa duvidar da capacidade da Patrícia , que tem só 19 anos, mas monta caminhões que nem gente grande. Ninguém ousa duvidar da capacidade da Cristina, nem da Daniela, nem dos outros 12 mil operários e operárias da fábrica da Mercedez, em São Bernardo do Campo.

Três décadas depois da célebre sentença proferida pelo então líder das históricas greves do ABC – “Que ninguém, nunca mais, ouse duvidar da capacidade da classe trabalhadora brasileira” – a verdade é que ninguém ousa duvidar da capacidade da classe trabalhadora brasileira. Afinal, como duvidar de uma gente que fabrica caminhão e governa e constrói um país melhor?

São 5h30, o dia ainda nem amanheceu, e já está de pé, no alto do carro de som, o torneiro mecânico e líder sindical que envelheceu 30 anos, branqueou o cabelo e a barba e virou presidente da República, mas nunca esqueceu de onde veio.

Na fila da frente, olhos, ouvidos e corações atentos, lágrimas a muito custo contidas, velhos companheiros de luta: Gijo, Wagner Lino, João Cardoso Profeta... Gente que enfrentou a ditadura, apanhou da polícia, perdeu o emprego, correu perigo de vida. Gente que, mais do que reajustes salariais e melhores condições de trabalho, lutou pela democracia, pela liberdade.

Mais atrás, no meio da peãozada que se aglomera no pátio da Mercedez, a presença maciça de mulheres metalúrgicas: Patrícia, Cristina, Daniela... Herdeiras da luta dos que vieram antes – mas também lutadoras, todas elas.

As duas gerações de operários e operárias vieram rever o companheiro de profissão e luta. Elegeram o primeiro operário presidente. Agora, querem eleger a primeira mulher presidente. Mas é outra mulher, Marta Suplicy, prestes a se tornar a primeira senadora pelo estado de São Paulo, quem explica o sentido desta inusitada assembleia de porta de fábrica: trata-se, na verdade, de um ritual de passagem.

“O Lula trouxe a Dilma aqui porque ela não pode se tornar presidente do Brasil sem antes olhar nos olhos dos trabalhadores e das trabalhadoras do ABC”.

O dia amanhece, e Dilma olha nos olhos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Em seguida, anuncia por que veio: “Vim assumir com vocês o mesmo compromisso que o presidente Lula assumiu”.

Não é um compromisso fácil, avisa Lula, logo em seguida. Mas não existe compromisso mais sincero no mundo: “Esses companheiros e essas companheiras, Dilma, eles exigem, eles cobram muito da gente. Mas são os primeiros a ajudar quando a gente precisa. Não existe lealdade maior do que a deste povo”.

Lula sabe do que fala. Fala do que sente. Está em casa, no meio do seu povo. O menino pobre de Garanhuns renasceu líder operário aqui, nesses chãos de fábrica; também aqui, nesses mesmos chãos de fábrica, o líder operário começou a nascer presidente da República.

“Muita gente morreu lutando pela democracia. Mas a verdade é que a democracia começou a ser construída em 1978, quando a peãozada do ABC se levantou contra a ditadura”, lembra Lula.

Gijo, Walter Lino, João Cardoso Profeta, os companheiros de luta, orgulham-se do passado e veem com satisfação o presente da classe trabalhadora. Patrícia, Cristina, Daniela, as herdeiras da luta, se orgulham do presente e têm os olhos postos sobre o futuro.

“Vejo uma cabine de caminhão passando na rua e penso: Fui eu que fiz”, conta a montadora Patrícia, que só tem 19 anos e começou aos 16, como aprendiz. “E o orgulho é ainda maior porque antes, no tempo do Lula, não havia mulheres trabalhando em montadoras, nós estamos conquistando esse espaço. Agora é trabalhar e estudar para ser engenheira.”

“Levanto todos os dias às 4h30, com um sorriso de orelha a orelha”, sorri, de orelha a orelha, a também montadora Daniela Hungria. “E eu sei que estou aqui, conquistando meu próprio sustento, minha independência, graças ao Lula, à geração do Lula. Ele foi do chão de fábrica, conhece a nossa linguagem, sabe o que a gente sente”.

“Sempre sonhei ser metalúrgica”, lembra a operadora de máquinas Cristina Aparecida Neves. “Passei dez anos tentando, e só consegui em 2004, graças ao governo do meu colega Lula, quando as montadoras, em vez de demitir, passaram a admitir.”

Felizes, Patrícia, Cristina e Daniela vão começar mais uma jornada de trabalho. Primeiro, vão abraçar o operário presidente e a mulher presidente. Mas antes, a caçula Patrícia faz questão de deixar um recado: que ninguém, nunca mais, ouse duvidar da capacidade da mulher brasileira.

“Ora, a mulher é capaz de fazer superbem tudo o que ela quiser. A gente já faz caminhão; agora a gente vai governar o Brasil.”

 

Fonte: www.dilma13.com.br

Tags: Governo Lula

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