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04.09.2008

Natal precisa de usina para entulhos

Nem só de lixo é feito o dia-a-dia da limpeza pública de uma cidade. Os entulhos também representam uma grande parcela do material recolhido diariamente nas ruas de Natal. Contudo, esses restos originados principalmente de construções e demolições não possuem ainda destino adequado na capital potiguar e enquanto uma usina de reciclagem vem sendo licitada pela Prefeitura, a Urbana despeja no antigo lixão de Cidade Nova e as empresas estão sem espaço onde descarregar.

O entulho é dividido entre o produzido pelos pequenos e pelos grandes “geradores”. O primeiro grupo reúne populares que realizam obras em suas residências, pequenas empresas e outras atividades que geram volumes menores, despejados quase sempre clandestinamente nas ruas ou em terrenos baldios, pela própria população, ou por carroceiros. Já o segundo grupo abrange as construtoras, que mais produzem esse tipo de material.

Ambos os geradores são obrigados a contratar empresas que dêem um destino adequado aos restos de materiais não aproveitados nas obras. Até meados de junho, essas empresas levavam o entulho para o lixão de Cidade Nova, sem pagar, porém o local foi fechado à iniciativa privada e hoje só recebe o captado pela Urbana, que coleta uma média de 100 “caixas” de entulho por mês, com seus 30 caminhões caçamba (próprios e terceirizados).

Para resolver a questão do destino desse material e atender às exigências do Ministério Público, a Prefeitura lançou uma licitação na qual escolherá uma concessionária que irá construir e operar uma usina de reciclagem de entulhos, no terreno do antigo lixão. Ao todo, oito empresas já se mostraram interessadas. No entanto, o processo licitatório está parado e não há ainda data confirmada para que o equipamento possa entrar em operação.

“Queremos deixar essa usina funcionando já este ano”, afirma o diretor de Operações da Urbana, Diogo Henrique Santos. Contudo, logo após ser lançada, a licitação teve de voltar à análise da Semurb, para uma avaliação sobre a licença ambiental. De acordo com  o diretor, essa fase já teria sido concluída e o processo aguarda apenas a liberação da Procuradoria Geral do Município para ser retomado.

A idéia inicial é que a Prefeitura ceda o espaço e a empresa vencedora construa a usina por conta própria, tendo o direito de operá-la durante 20 anos. A partir daí, os entulhos levados pela Urbana seriam recebidos de forma gratuita e os responsáveis pela usina ganhariam não só revendendo o material reciclado, como também cobrando ou fazendo acordos com as empresas privadas que também desejem despejar seu entulho no local.  A usina é considerada prioridade dentro da Urbana. “Vai ser um grande ganho ambiental”, avalia a gerente de Planejamento da Companhia, Ivanilde Ramos, lembrando que o lixo doméstico já conta com área adequada de despejo, em Ceará-Mirim.

Até que a usina entre em funcionamento, a sugestão da Urbana às empresas tem sido para que utilizem o aterro de Ceará-Mirim como local temporário.

Empresas buscam alternativas

Os representantes das empresas que transportam entulhos em Natal devem se reunir hoje com a Urbana, em busca de uma alternativa para a falta de espaços onde descarregar o material na cidade. “Esperamos que a Prefeitura licencie alguma área”, afirma Ubirajara Costa, da Disk Entulhos. Uma das pioneiras no mercado, com 12 anos de atuação, sua empresa conta com espaço próprio, porém não o suficiente para receber o material por um período longo.

A alternativa apontada pela Urbana, o aterro sanitário de Ceará-Mirím, não é considerada uma boa opção, pois mais que triplicaria os custos. “Como foi feito para receber lixo doméstico, cobrariam algo em torno dos R$ 240 para descarregar cada caçamba. Somado à distância teríamos de aumentar o preço para a população para uns R$ 400 (atualmente gira em torno dos R$ 120) e muita gente deixaria de usar nosso serviço para voltar a jogar nas ruas”, lamenta.

O empresário lembra que mesmo a usina pode não resolver a situação, se vier a cobrar um valor alto pelo despejo. “Caso o poder público não tome conta, se ficar com a iniciativa privada, é provável que fique bem caro e quem vai pagar é a população”, destaca, lembrando que mais uma vez as empresas regularizadas irão perder espaço para as clandestinas, que afinal terminam por jogar o entulho em qualquer lugar.

Isso, considera Ubirajara Costa, é um problema de toda a cidade, uma vez que entulho nas ruas representa transtornos à passagem de pedestres nas calçadas, podem servir de criadouros para mosquitos e outros causadores de doenças, contribuem para o entupimento das galerias facilitando os alagamentos, sem contar o visual prejudicado pelos montes de concreto jogados por toda a parte.

“Precisamos ter um ponto de despejo o quanto antes, para que não haja o caos. Nossa empresa ainda conta com um espaço, mas é limitado. E outras que nem isso possuem? Estamos todos preocupados com a questão ambiental e sabemos que se continuar assim vamos perder lugar para os clandestinos”, adverte.

Sinduscon se preocupa com falta de espaço

Os maiores geradores de entulhos estão também entre os mais preocupados com a destinação final desse material. Pelo menos é o que garante o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Sílvio Bezerra. “Há cerca de dois anos procuramos o Ministério Público e a Prefeitura, mostrando o nosso interesse em fazermos funcionar uma usina de reciclagem de entulho, mas até hoje isso está parado”, revela.

Ele lamenta que as construtoras contem hoje até mesmo com recursos financeiros para montar essa estrutura, mas isso não é suficiente porque ainda necessitam do poder público a cessão do espaço. “Temos todos uma preocupação ambiental em não deixar esse material em um lugar qualquer. Hoje, as novas tecnologias vêm reduzindo o desperdício nas obras, mas é impossível isso chegar a zero, sempre haverá resíduos e precisamos de um destino adequado para eles”, enfatiza.

Sílvio Bezerra lembra que essa é uma preocupação nacional da indústria da construção civil. O Sinduscon, inclusive, já enviou representantes para conhecer a experiência de outras cidades. “Temos os recursos e o desejo de montar uma em Natal. Há muitas alternativas para a utilização desse entulho reciclado”, explica.

Prefeitura vai instalar oito ecopostos

A população que hoje despeja o entulho nas ruas ou contrata carroceiros e veículos em geral para levar o resto das obras a locais clandestinos terá uma nova opção após a usina de reciclagem ser inaugurada. Serão instalados oito “ecopostos” pela cidade, sendo dois em cada uma das quatro zonas, onde os natalenses poderão descarregar esse material sem o risco de serem multados.

Para contribuir com esse trabalho, a Urbana já cadastrou um total de 250 carroceiros, que poderão ser contratados pelos interessados em fazer o transporte dos entulhos até esses “ecopostos”. Caminhões caçamba levarão o material acumulado nesses pontos para a futura usina. “Hoje, não há espaços regulamentados para isso”, explica, Diogo Santos.

Diante da falta desses locais e dos recursos para contratar as empresas licenciadas, muita gente prefere usar o serviço de carroceiros, ou por conta própria jogar o entulho em áreas abertas,. Quem age dessa forma, porém, pode vir a ser multado.

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: Natal 2009 - Desafios e Metas

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Comentários

  • ivanaldo de aguiar postado em 12/11/11 - 20:06

    mineiro eu ivanildo ja tinha pensado nisso natal pecisar de uma usina de entulho

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