Há quem reclame da qualidade do asfalto da avenida onde mora, ou mesmo da irregularidade dos paralelepípedos na rua onde vive. Porém, cerca de um quarto da população de Natal, em torno de 200 mil pessoas, habitam ruas que não possuem nem um, nem outro desses pavimentos. A estimativa da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Semov) é de que 25% das vias de Natal não são pavimentadas, ou seja, continuam no barro ou na areia.
Essa parcela da população enfrenta transtornos o ano todo. Quando o tempo está seco a poeira invade as casas e dificulta até mesmo a respiração. Na época de chuva são as poças formadas e os alagamentos gerados pela falta de drenagem que dificultam a vida de todos. Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, essa não é uma realidade apenas dos bairros mais carentes, já que a distribuição das vias não pavimentadas é geograficamente “democrática” na capital potiguar.
“Temos hoje cerca de 25% das ruas de nossa cidade ainda sem nenhuma estrutura e é na cidade toda. Tem aquela região do Parque das Colinas e San Vale, na zona Sul. Temos de ficar periodicamente fazendo serviços, utilizando máquinas, equipamentos para ir regularizando a situação das ruas, colocando material para não piorar a situação. E assim você tem na zona Oeste, no Planalto, e na zona Norte, com diversos loteamentos”, indica o secretário Damião Pita. Interessante frisar que uma parte significativa dessas ruas sem calçamento se localizam em áreas nobres, onde os moradores pagam caro pelo IPTU – é o caso de Capim Macio e Parque das Colinas, por exemplo.
Apesar da distribuição quase igualitária, ele confirma que a zona Norte continua a ser a área menos atendida. “Lá é realmente onde temos mais loteamentos sem nem mesmo uma pedra, faltando toda infra-estrutura”, aponta Pita. Entre esses, cita o Câmara Cascudo, Nordelândia, Boa Esperança, Kipanorama e Santa Inês. “Esses aí ainda estão virgens em matéria de pavimentação”, diz.
Enquanto isso, outras regiões historicamente prejudicadas pela falta de pavimentação esperam com ansiosidade pelas obras já iniciadas. Em Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte, e Capim Macio, na zona Sul, mais de 100 mil natalenses terão a chance de ter suas ruas calçadas ou asfaltadas, logo que os trabalhos de drenagem e pavimentação iniciados há anos nos dois bairros sejam concluídos, o que se prevê que aconteça até o final deste ano.
Problema atinge áreas nobres
Consideradas áreas nobres da cidade, os loteamentos Parque das Colinas e San Vale, localizados entre Candelária e Cidade Satélite, sofrem das mesmas dificuldades viárias dos loteamentos da periferia de Natal. A grande maioria das ruas é de barro e tanto poças d’água que tomam toda extensão das vias, como crateras que também ocupam os dois sentidos do tráfego, são extremamente comuns.
Morador da rua Agnaldo Gurgel Júnior, no Parque das Colinas, o funcionário público Eliezer Cosme de Melo convive diariamente com as dificuldades de uma rua totalmente esburacada. As últimas chuvas que descem de vias próximas, algumas com calçamento, mas sem drenagem, chegaram a abrir um buraco que teve de ser sinalizado com palhas de coqueiro para que não causasse acidentes maiores, pois possui três metros de largura, por um de profundidade. “Nessa última chuva foi horrível”, revela o morador. Segundo ele, os próprios habitantes do local contrataram uma empresa para pavimentar parte da rua, em frente às residências, depois que muitos sofreram até mesmo com os atolamentos. O material colocado, porém, já está sendo arrancado pela força das águas. “A nossa expectativa é que o projeto de pavimentação e drenagem saia do papel, porque já foi arquivado e desarquivado várias vezes”, lembra Eliezer Melo.
O professor Lacerda de Alen car, morador da rua Luiz Antônio Bezerra, lembra que sem o saneamento não há como melhorar a situação das ruas. “São cheias de buracos e sempre que chove alaga tudo”, afirma. Ele trafega em um bugue pela região e admite que o veículo é realmente o mais indicado para enfrentar o sobe e desce contínuo, além das áreas onde a areia fofa se acumula.
Além da água, das crateras e da poeira, muitos aproveitam para depositar restos de poda, metralha e até lixo na ruas de barro, dificultando ainda mais a passagem de veículos, até os de tração animal. “Agora desse jeito que está, está até bom, quando chove mais forte fica pior”, revela o carroceiro Assis de Lima.
Escassez de recursos inviabiliza melhorias
Damião Pita afirma que não é por falta de estudos ou propostas que muitos locais de Natal ainda não receberam a infra-estrutura viária e de drenagem. “Temos na Semov um grande estoque de projetos, somente aguardando os recursos para serem viabilizados”, destaca o secretário. Apesar de o cenário ser considerado positivo para a aquisição de verbas destinadas a essas obras, não será fácil captar todo o dinheiro, uma vez que o valor é considerável.
“O pessoal às vezes questiona porque eu falo que são necessários R$ 500 milhões para drenagem e pavimentação de Natal. Mas para se ter uma idéia, temos já pronto todo o projeto do Parque das Colinas e San Vale, e apenas para drenagem e pavimentação dessas áreas serão necessários cerca de R$ 60 milhões, isso já orçamentado, com planilhazinha pronta. Tomando esse projeto como referência, você imagina quanto não será preciso para o restante”, aponta Damião Pita.
Contudo, ele acredita que a facilidade para obter os repasses federais é hoje bem maior. “Atualmente, a Prefeitura com muito esforço consegue a contrapartida, que geralmente é de 10%, mas isso no mínimo. O Governo do Estado também participa, mas tem as mesmas dificuldades do Município. Então a fonte mesmo básica para aporte de recursos é o Governo Federal, seja através de empréstimos, que dependem da capacidade de endividamento da Prefeitura e tem de ser pagos, ou direto do Orçamento Geral da União, quando apenas se exige a contrapartida”, explica.
Em ambos os casos, o secretário considera que tem havido uma evolução na forma de obtenção das verbas. Para ele, os “lobbies” políticos perderam lugar para os projetos. “Antigamente, não adiantava ter o melhor projeto possível, que quase nunca se obtinha o dinheiro para executá-lo. Agora, a partir do atual Governo Federal, isso tem mudado. Trabalho há muitos anos no serviço público, passei 17 anos na Cohab e estou completando 20 de Prefeitura, mas não tinha acompanhado um período tão positivo para se obter recursos, com bons projetos, sem precisar de lobby”, declara.
Isso, afirma, tem incentivado a elaboração de novos projetos, que até então não vinham adiantando, pois geralmente não se conseguia nenhum recurso para pô-los em prática. “Ao próximo prefeito cabe preparar as propostas e, naturalmente, quando começarem as obras, dar conta do recado. A gente já tomou a frente de outras cidades pelo desempenho que estamos tendo na Prefeitura, pois quando é preciso, chegamos com o projeto que é necessário para garantir os recursos”, conclui.
Falta de calçamento gera transtornos para a população
No conjunto Planalto, zona Oeste de Natal, as ruas de barro ainda são a regra geral e as calçadas uma exceção. “Precisa os candidatos deixarem de prometer e fazer alguma coisa mesmo, porque moro aqui há mais de 20 anos e sempre foi assim. Quando chove, a rua vira uma lagoa e a gente tem de contratar é uma canoa para sair de casa”, ressalta José Cosme da Silva, morador da rua Santo Onofre.
Ele lembra que não basta colocar as obras no papel, é preciso executá-las. “Dizem que essa rua principal, a Agrestina, está como tendo sido toda calçada, mas só tem mesmo metade de paralelepípedo”, reforça. Até mesmo os caminhões quando fazem a limpeza das vias, terminam por abrir depressões que facilitam ainda mais o acúmulo de água. “E a população daqui não pára de crescer, por isso tem de vir político para fazer a obra, não mais para prometer”, enfatiza José Cosme.
A família do autônomo José Edmilson da Costa, recém chegada à rua São Patrick, não conhecia todos os problemas da área. “Não sabia que era assim. Agora com as chuvas piorou ainda mais”, revela, lamentando a poça de água suja formada em frente à sua residência, que exala mal cheiro e contribui na proliferação de mosquitos. Além de mal iluminada, a via é cheia de crateras que fazem do ato de dirigir pelo local um verdadeiro rally. Quando chove as lagoas se multiplicam. “É difícil”, resume o novo morador.
Moradores aguardam pavimentação com ansiedade
A expectativa dos que passam a morar em uma rua calçada é grande. É o caso da população da rua João Hélio Alves, no Planalto. A obra de pavimentação dos acessos ao bairro dos Guarapes vai beneficiar a via e acabar, nos próximos meses, com parte do sofrimento que os moradores enfrentam há décadas.
“Vivo aqui há bem mais de 20 anos. A poeira é tanta, que quando você termina de varrer, com pouco tempo já tem de varrer tudo de novo”, reclama a dona-de-casa Keila de Oliveira Silva.
Ela lembra que outro prejuízo é a dificuldade de acesso aos transportes coletivos. Algumas linhas não chegam ao local e os passageiros têm de pegar outro ônibus para irem até uma parada localizada em uma rua pavimentada. Até mesmo os alternativos preferem evitar o itinerário que passa pelas vias de barro.
“Já terminaram a parte da drenagem e devem calçar em até dois meses, isso vai ser importante porque tem muita gente vindo morar aqui, afinal essa região tem se valorizado”, diz Keila, consciente de que o calçamento deve acelerar ainda mais essa valorização.
Fonte: Tribuna do Norte
moro no bairro pajuçara loteamento parque floresta, a rua que moro consta como calçada mas nunca foi concluido o calçamento, rua oceano pacifico, tb.oceano atlantico e indico as três

No último domingo, o jornal Tribuna do Norte publicou pesquisa da Certus sobre "Avaliação dos...

antonia fernandes, Biologa
Parabéns Mineiro, pela coerência em sua prática política.
hudson alves, recepcionista
É isso aí, Mineiro. Tô contigo e não abro, meu voto é seu!!!!
ana lucia moreira , professora
Parabens deputado, fiquei feliz por nossa classe ter um defensor digno. A classe politica...


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