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21.12.2009

Mineiro considera aprovação do Orçamento "irracional"

"Quais os remanejamentos que serão feitos? De onde vão tirar? Dos investimentos? Da área social?". Essas são apenas algumas das indagações feitas pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT) após a tumultuada aprovação do Orçamento Geral do Estado - OGE pela Assembleia Legislativa, na última terça-feira.

O Orçamento para 2010 tem 80 emendas que foram aprovadas sem que fossem lidas as proposições e prevê recursos de R$ 7,7 bilhões. O relatório do OGE foi feito pelo deputado Ricardo Mota (PMN) e colocou todas as emendas para votação em bloco, sem que os parlamentares conhecessem o teor das propostas nem de onde sairá o dinheiro para garantir a execução de quaisquer projetos.

"Eu acho que foi irracional", diz um indignado Mineiro. E complementa: "Se alguém fez esta votação pensando nas eleições de 2010, deu um tiro no pé. O Orçamento é uma questão política, mas não pode ser eleitoral e muito menos eleitoreira".

A preocupação do deputado petista se justifica quando se sabe que o Orçamento Geral do Estado (OGE) é uma lei proposta pelo Executivo e aprovada pela Assembleia Legislativa, onde estão definidas todas as expectativas de receitas e de despesas públicas do Estado para um determinado ano.

Mineiro explica: "Para se apresentar emendas que criem novos projetos, programas ou ações ou modifiquem os já previstos, é preciso modificar as previsões orçamentárias originais. É o tal do remanejar recursos de um canto para o outro. Assim, quando um deputado vota uma emenda ao Orçamento, ele na verdade está decidindo sobre a retirada de uma parte ou da totalidade dos recursos previstos para serem aplicados em determinados programas".

Apesar de o presidente da Assembleia, deputado Robinson Faria (PMN), ter afirmado que cumpriu o Regimento Interno da Casa ao colocar as emendas para serem votadas em bloco e alegar que "se houve algum erro a culpa é do relator, meu papel é colocar o projeto em votação", para Mineiro a situação foi bem diferente. "Eles passaram por cima do Regimento".

Ao ser indagado se o Orçamento para 2010 se tornaria uma questão jurídica, Mineiro diz que não e volta a afirmar que se trata de uma questão eminentemente política. "Agora, a sociedade tem que acompanhar o Orçamento com atenção e cuidado. E desejar que não se mexa em áreas primordiais para o Estado, como investimentos e social", conclama o deputado.

Publicado em 18/12/2009

Fonte: O Mossoroense

Tags: Finanças Públicas, mandato na imprensa, Orçamento RN

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