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25.07.2010

Melhoria do ensino público passa por mais investimentos

 Magnos Alves - JORNAL DE FATO

Mossoró - O desempenho das escolas públicas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostra que o ensino oferecido às camadas mais pobres em Mossoró está quase no fundo do poço.  Os resultados obtidos pelas escolas municipais não foram os mais indicados e precisam ser melhorados.  Mas o que mais chama a atenção nas avaliações feitas pelo Ministério da Educação (MEC) é a constatação de que as escolas mantidas pelo poder público estadual precisam de socorro mais que urgente.  A grande maioria das escolas estaduais foi reprovada nos testes, enquanto que outras poucas ficaram, no máximo, em recuperação.

fred veras/jornal de fatoSala vazia na Escola Estadual Aída Ramalho por falta de professorSala vazia na Escola Estadual Aída Ramalho por falta de professor
Diante desse cenário, classificado como caótico pelo coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), Rômulo Arnor, várias indagações podem ser feitas.  Será possível mudar essa realidade? O que fazer para que nossa educação pública saia do vermelho? E em quanto tempo é possível alcançar resultados satisfatórios?

Na opinião de Rômulo Arnor, o caminho é investir mais e melhor.  Não só contratando os professores que hoje estão ausentes das salas de aula, mas, primordialmente, qualificando-os. Para o sindicalista, o poder público precisa valorizar o professor para atrair mais pessoas para a profissão.  Ele observa que no Brasil existem 200 mil vagas abertas para professor, mas não existem pessoas interessadas.  “E o pior é que tem muito professor desistindo da profissão porque não existe estímulo para continuar, principalmente no tocante aos rendimentos”, relata.

Mas o que foi dito até agora não basta.  Se existir realmente o interesse em melhorar a qualidade da educação outras ações imediatas precisam ser adotadas, como, por exemplo, melhorar a infraestrutura das escolas. O que temos hoje são escolas em ruínas, como o “Estadual”, que se tornou um ambiente inadequado para professores, servidores e, especialmente, estudantes. Rômulo Arnor acredita que com atitude e resposta do poder público será possível começar a colher resultados em cerca de cinco anos.  “Toda ação na educação leva tempo para dá resultado, mas se agirmos a partir de agora poderemos comemorar em tempo razoável”, ressalta.

O reitor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Josivan Barbosa, declara que é preciso liberar recursos federais para que os municípios possam valorizar o salário dos professores com incentivo para especialistas e mestres.  “Somente com garantias de ascensão social é que a profissão de professor vai se tornar atrativa”, opina ele. Já o reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Milton Marques, adverte que o problema da má qualidade da educação pública pode ser somente questão de dinheiro, mas a forma como esses recursos estão sendo aplicados.  “O que pode estar faltando é a execução de projetos”, alerta.

Milton Marques relata que algumas secretarias de educação devolvem dinheiro ao MEC porque não conseguem executar seus programas.  “Falta planejamento para aplicação desses recursos. É preciso, primeiramente, gerir bem para alcançar resultados positivos”, orienta. A subsecretária estadual da Educação, Cátia Lopes, concorda que muito tem a ser feito e que o Estado poderá ter uma educação pública de melhor qualidade.

Secretaria Estadual reconhece erros e anuncia providências

A subsecretária estadual da Educação, Cátia Lopes, reconhece que há muito para fazer para melhorar o nível da educação pública ofertada pelo Governo do Estado.  Cátia disse que o primeiro passo é suprir a falta de professores em sala de aula, seguindo pela infraestrutura das escolas. “Existe um passivo que precisamos resgatar e para isso temos que melhorar o processo de gestão interna também”, revela.

Cátia afirma que o Estado já está atuando, citando que existem mais de 75 obras para serem executadas, sendo 20 delas para reforma e ampliação de escolas. “Já temos garantidos R$ 68 milhões para obras e construção”, garante.

Entre as escolas beneficiadas, está o “Estadual” que, segundo Cátia, já está com o processo bastante avançado, inclusive com a empresa responsável pelos serviços já contratada. “Temos todo um universo para ser movimentado em prol do objetivo de melhorar os índices da educação pública”, destaca.

Para a subsecretária, somente com planejamento, estratégias bem definidas e envolvimento de toda sociedade será possível tirar a educação pública do vermelho. “A responsabilidade é de todos. Falta interessa das famílias em acompanhar o desenvolvimento dos seus filhos, pois acham que a responsabilidade é unicamente da escola. O estudante precisa ser estimulado a partir de casa”, diz, convocando todos para participar do dia-a-dia escolar.

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: Educação

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