Os 30 hospitais públicos estaduais da Região Metropolitana de São Paulo contabilizaram uma economia de aproximadamente R$ 4,5 milhões no primeiro mês de vigência da chamada “lei seca”, segundo informou o jornal Folha de São Paulo, com base em levantamento da Secretaria estadual de Saúde. A economia de R$ 4,5 milhões se deveu à redução do número de acidentes graves de trânsito provocados pela ingestão de bebidas alcoólicas. A quantidade dos atendimentos a motoristas bêbados, um mês após o início da “lei seca”, caiu à metade nos hospitais estaduais paulistas.
Em um ano, a economia seria de R$ 54 milhões, o que equivale ao custo anual de um hospital estadual de médio porte, com cerca de 200 leitos. Com a economia projetada de R$ 54 milhões, seria possível construir um hospital do mesmo porte, segundo especialistas da área.
Chegou-se à cifra considerando que uma vítima internada custa R$ 3 mil e que um acidentado em estado menos grave liberado em seguida custa em média R$ 500.
Essa economia tem-se repetido em diversas regiões do País. É o caso do Instituto José Frota, de Fortaleza, maior hospital de urgência do Ceará, que utilizou um cálculo semelhante ao de São Paulo e estimou uma economia de R$ 5 milhões este ano em decorrência da “lei seca”.
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) disse que a população brasileira é a mais beneficiada com a lei. "É uma medida dura mas necessária. Agora já estamos colhendo resultados concretos, com a preservação de vidas, redução de acidentes no trânsito e dos índices de violência, além de economia dos gastos públicos com os acidentados. Só temos que comemorar esse resultado", afirmou.
Ferro, entretanto, manifestou preocupação com a possibilidade de corrupção durante operações policiais destinadas a apurar o consumo de álcool por motoristas. Para ele, o próximo passo é aprimorar a lei para evitar eventuais abusos e desvios durante essas operações policiais.
A deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP) também defendeu a rigidez na aplicação das leis de trânsito e ressaltou que as pessoas não estão sendo proibidas de ingerir bebidas alcóolicas. "Eu não considero que esta lei é "seca", como foi apelidada. Ninguém está proibido de consumir bebidas alcoólicas, o que se proibiu foi a combinação de álcool e direção”.
Ela disse conhecer pessoas que faleceram e outras que permaneceram durante meses hospitalizadas em função da irresponsabilidade de motoristas no trânsito. Janete aconselhou aos jovens e demais usuários de álcool que respeitem a lei e adotem o chamado amigo da vez, que não bebe para poder dirigir.
No caso de São Paulo, de 19 de maio a 18 de junho, as emergências dos 30 hospitais, entre eles o Hospital das Clínicas (o maior da América Latina), atenderam 9.102 pessoas envolvidas em colisões, atropelamentos e quedas de moto. De 19 de junho, data em que a lei foi sancionada, a 20 de julho, atenderam 4.449.
Edmilson Freitas com Agências