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26.08.2009

Impacto: juiz começa a ouvir testemunhas

Quatorze das 83 testemunhas de defesa e de acusação arroladas no processo da Operação Impacto foram ouvidas, ontem, pelo juiz Raimundo Carlyle, responsável pelo caso, na primeira audiência de instrução e julgamento, realizada na 4ª Vara Criminal. Dos 13 vereadores e ex-vereadores incriminados de participar de um esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal, seis levaram falta ou, pelo menos, não apareceram no primeiro andar do Fórum Miguel Seabra, onde aconteceram as audiências e cuja segurança foi reforçada a partir de determinação do magistrado.

Autora da denúncia que desencadeou o processo, a ex-procuradora do Município Marise Costa abriu a rodada de oitivas da manhã, seguida pelos contadores Rui Cadete e Luciane Alves, funcionários da Abreu Imóveis, única empresa no banco dos réus. Dois servidores do Banco do Brasil também prestaram esclarecimentos, assim como o ex-vereador Fernando Lucena (PT), um dos oito parlamentares da legislatura anterior que não fazem parte da lista dos acusados. "Tenho fortes indícios para acreditar que houve mesmo um esquema de corrupção", disse Lucena, que pode voltar ao legislativo municipal caso algum dos reeleitos perca o mandato.

Porém, os acusados se dizem inocentes. O ex-vereador Emilson Medeiros (PPS), por exemplo, reafirmou que a Impacto não passou de um circo armado por alguns integrantes da administração anterior cujos interesses foram contrariados com a votação. "Vou provar minha inocência. Minha família e amigos estão indignados", afirmou Emilson. Segundo os advogados do vereador Dickson Nasser (PSB), a defesa do presidente da Casa foi construída em cima da ilegalidade das provas apresentadas pelo Ministério Público.

No final da manhã, Carlyle remarcou para a manhã de hoje os depoimentos das testemunhas arroladas pelos ex-vereadores Sargento Siqueira (PV) e Renato Dantas (PMDB) e do vereador Adenúbio Melo (PSB). À tarde, o juiz vai ouvir as do ex-vereadoresCarlos Santos (PR) Salatiel de Souza (PSB) e do vereador Edivan Martins (PV).

Entres as testemunhas que serão ouvidas hoje está o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), que vai contar ao juiz o que sabe sobre uma ligação telefônica feita pela prefeita Micarla de Sousa (PV) ao correligionário Edivan Martins duas horas antes da votação. "Ela disse que os natalenses eram a favor dos vetos e ficaria muito ruim se o partido deles não tivesse nenhum voto consoante a vontade da população", disse Carlos Eduardo, que classificou a ação como "oportunista". Na lista, também consta o nome de quatro padres. Cada acusado pode contar com até oito testemunhos de defesa.

Edivan Martins, Adenúbio Melo, Aquino Neto (PV), Salatiel de Souza, Sargento Siqueira e Aluísio Machado (PSB) formam o time dos que não foram vistos na primeira audiência.

Reportagem - Jussara Correia

Fonte: Diário de Natal

Tags: Operação Impacto

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