"Nós acreditamos que todo dia é Dia do Índio, mas este é o momento para que se converse mais sobre o tema", afirma a pesquisadora Jussara Galhardo ao falar da programação da Semana Indígena 2010, promovida pelo grupo Paraupaba entre os dias 20 (terça) e 24 (sábado), no Museu Câmara Cascudo. A programação é uma homenagem ao Dia do Índio e trata dos temas relevantes para essas pessoas no Rio Grande do Norte, entre eles, o modo de abordagem da questão indígena nas escolas e os estudos do grupo organizador.
Em cinco anos de atividade, o Paraupaba desenvolve pesquisas e atividades relacionadas à questão indígena no RN. Ele envolve setores da sociedade civil, instituições e outros apoiadores, entre eles o deputado estadual Fernando Mineiro e está ligado ao Museu Câmara Cascudo. Jussara coordena o projeto.
Formado em 2005, o grupo já promoveu mudanças na auto-identificação dos indígenas do RN e na maneira como a sociedade lida com os mesmos. "Nós realizamos um levantamento da história oral, memória e do modo como eles vivem. O engajamento das comunidades aumentou muito. Hoje eles estão em uma dinâmica de resistência e luta", conta a pesquisadora.
Jussara lembra que a presença de índios no Rio Grande do Norte é minimizada pelos livros de história e que, agora, os mesmos estão saindo da invisibilidade. "A historiografia negou, mas existem grupos, embora reelaborados e com hábitos modificados. De alguma forma, eles sobreviveram", declara.
Mineiro compartilha da opinião da pesquisadora. "O RN é o estado brasileiro onde os índios foram mais perseguidos e massacrados. A Guerra dos Bárbaros, no século XVII, que o diga. Mas a historiografia oficial desconhece ou minimiza essa presença e é comum que o assunto seja tratado com chacota em muitos lugares", afirma o deputado.
Atividades
Em 2005, por exemplo, tiveram início as audiência públicas, apoiadas por Mineiro, para debate da questão indígena. Órgãos como a Funai, Ministério Público, Movimento Indígena e UFRN participaram dos eventos. "Esses debates foram muito importantes para mostrar as demandas e problemas do povo indígena", conta Jussara.
Em dezembro do ano passado, ocorreu a I Assembléia Indígena do RN, com o tema "Reconstruindo a Cidadania". O patrocínio foi da Funai e o evento contou com a participação de representantes desse órgão de todo o país, bem como da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santos - Apoinme. "Discutimos questões como identidade étnica, território, saúde e educação indígena", lembra a pesquisadora.
Entre o saldo positivo obtido nesses anos de trabalho, Jussara destaca o debate da instalação de uma Coordenação Técnica da Funai no RN e, principalmente, a eleição de representantes de comunidades potiguares na Apoinme.
Os problemas, entretanto, continuam e estão ligados aos temas tratados na assembleia, ou seja, saúde, educação, território, ausência de material didático e pedagógico voltado para a questão indígena, etc.
"Os Medonça do Amarelão"
Confira aqui o artigo "Os Medonça do Amarelão: Identidade, Memória e História Oral", de Jussara Galhardo. O documento traz informações sobre a comunidade do Amarelão, em João Câmara/RN.
Fonte: Assessoria do Mandato
adoreii me serviu bastante essa matéria. =D

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