
Uma infra-estrutura de qualidade é um dos diferenciais para o bom rendimento dos alunos e, segundo especialistas, pode ser um investimento barato, se comparado com outros gastos necessários para a boa educação. Uma boa sala de aula, biblioteca, quadra de esporte, tudo isso faz a diferença no processo de aprendizagem dos alunos. Afinal de contas, quem não se sente mais motivado estudando em um local mais adequado?
“A infra-estrutura é muito importante, como dar aula em uma sala mal iluminada, úmida e quente? Os alunos ficam dispersos e muitos nem se sentem motivados a vir para a escola”, disse a professora da Escola Municipal Professor José do Patrocínio Pereira Filho, na zona Norte de Natal.
A escola está passando por uma reforma, desde dezembro do ano passado e funciona em um prédio anexo, que não oferece condições apropriadas. “A Secretaria de Educação de Natal está realizando uma ampla reforma na nossa e estamos funcionando em outro prédio. É uma situação difícil, mas é por pouco tempo porque depois vamos usufruir de um novo espaço, com uma boa infra-estrutura”, explicou o diretor da escola Carlos Antônio de Araújo.
Nos últimos anos a SME tem investido bastante na infra-estrutura de suas escolas, tanto que para 2008 foi destinado 15,31% do orçamento para manutenção e desenvolvimento das escolas. “Já investimos R$ 63 milhões nesse setor, 90% de nossas escolas sofreram algum tipo de intervenção seja reforma, construção ou pequenos consertos”, disse a secretária municipal de Educação Justina Iva de Araújo Silva.
Dados da SME apontam que em 2001 eram 65 escolas municipais, sete anos depois já são 93, sendo 11 destinadas à Educação Infantil e outros 24 Centros de Educação Infantil, que eram denominados de creches e que recentemente passaram para a responsabilidade da SME, já que antes eram de responsabilidade da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social.Mas apesar de todo o investimento algumas escolas ainda se encontram em situação complicada. Um exemplo é a Escola Municipal Nossa Senhora das Dores, nas Quintas. A primeira impressão que se tem é que ali não funciona uma instituição de ensino, o local parece mais uma vila de casas.
“Tenho que reconhecer que a infra-estrutura não é boa. O espaço não é apropriado e há muito tempo não passa por reforma. O problema é que esse prédio é alugado e a Prefeitura não quer fazer intervenções, já que o prédio não é dela. Apesar de no primeiro contrato prever melhorias no espaço”, disse a diretora da escola, Hozana de Lima, que também é a proprietária do prédio.
No local não existe um espaço adequado para a prática de atividades físicas e recreativas. As salas de aulas são escuras e em pouca quantidade. São apenas quatro salas para 190 alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental. Além das atividades da escola, no espaço também funcionam uma associação com creche e o clube de mães.
“O trabalho é complicado porque há dez anos, desde que fiz o contrato com a prefeitura, nada foi feito na estrutura. Aliás, a única intervenção foi uma pintura, feita em outubro do ano passado e só”, disse a diretora.
Segundo Justina Iva, os prédios alugados são um problema para a SME. “Em muitos casos tentamos comprar o prédio, mas o proprietário não quer vender ou não é possível fazer a desapropriação e fica difícil fazer uma reforma em um prédio que não é do município. Se não fizemos mais intervenções foi por problemas nos terrenos”, justificou a secretária.
Maioria dos prédios foi reformada
Apesar de algumas escolas não terem sido atendidas, boa parte dos prédios passou por reformas ou manutenções. Um exemplo é a Escola Municipal Ivonete Maciel, que fica na Cidade da Esperança.
A infra-estrutura é uma das melhores, os alunos contam com espaço destinado à atividade física. As salas de aulas são amplas e bem iluminadas. Além disso possui sala de leitura e de informática. “Conseguimos ampliar o número de laboratórios de informática. Em 2001 eram apenas sete e hoje já são 42 salas de informática”, disse Justina Iva.
Uma outra preocupação do município é que as escolas estejam dentro das regras de acessibilidades. Boa parte delas, possui rampas e corrimões o que facilitam a locomoção dos alunos portadores de necessidades especiais.
Uma outra escola considerada como modelo é a Ascendino de Almeida, que em abril deste ano, ganhou novo espaço para a biblioteca, uma sala de multimeios, área de convivência, sala de informática, e a acessibilidade de portadores de necessidades especiais por meio de rampas e sinalizações.
De acordo com a secretária municipal de Educação, Justina Iva, as intervenções realizadas pela Prefeitura do Natal acontecem a partir do interesse e da boa gestão do corpo técnico da escola. “Aqui é um modelo de gestão e qualidade de ensino. Trabalhamos a gestão participativa, onde os próprios funcionários reivindicam as melhorias que foram realizadas. O compromisso com a qualidade e principalmente com os alunos é uma marca dessa administração.”, disse a secretária.
Na época da inauguração da escola,o prefeito Carlos Eduardo ressaltou a importância de ampliar a verba para a educação. “Os 25% do orçamento revertido para educação resultou em uma melhora na estrutura e no ensino fundamental, e possibilitou a construção de novas escolas e a reforma e ampliação de outras”, disse o prefeito. A correção salarial dos professores a cada primeiro de abril também foi citado como um fator estimulante para o ensino nas escolas municipais, juntamente com a carteira de estudante, a merenda escolar, e o fardamento das crianças.
Um outro ponto positivo é a questão do transporte das crianças. Isso porque em muitas escolas não existe vaga disponível e os alunos excedentes não ficam sem aulas, eles são matriculados em outras instituições e transportados gratuitamente pela prefeitura.
“A gente não deixa aluno sem aula. Por isso, existe o transporte escolar para que os alunos excedentes em algumas áreas, sobretudo na Zona Norte, o bairro Nossa Senhora da Apresentação, sejam levados às escolas que dispõem de vagas em outro bairro. E veja que
a Zona Norte concentra quase 40% das escolas da nossa rede. O investimento, desde 2002, foi de R$ 6 milhões”, disse a secretária.