Hoje, no Brasil, há 70 referências de grupos isolados. Dessas, 29 são confirmadas por meio de entrevistas, imagens de satélite, sobrevoos, georreferenciamento, observação de vestígios e documentação histórica. Localizados em sua grande maioria na região amazônica, não se sabe ao certo quem são, quantos são e que línguas falam.
Ao identificá-los, a Funai monitora o território para garantir o direito de se manterem no isolamento, respeitando as estratégias de sobrevivência física e cultural, segundo usos e costumes. A política vale para os povos de recente contato, que têm alguma relação com segmentos da sociedade nacional, mas têm conhecimento reduzido dos códigos e valores das sociedades majoritárias, como o povo Zo'é.
Programa – A Funai está finalizando um programa de desenvolvimento etnoambiental sustentável para os Zo'é, levando em conta o direito à informação. Entre as ações previstas estão programas educativos para a população Zo'é, do entorno da Terra Indígena e de municípios da vizinhança, com o objetivo de viabilizar relações de respeito, de acordo com a política para índios recém contatados. Há ainda a possibilidade de engajamento dos Zo'é em atividades de vigilância da própria terra.
O programa destaca ainda o processo de letramento e capacitação dos Zo'é para o uso de tecnologias de registro e continuidade das ações de saúde. A alfabetização e letramento incluem o manejo da leitura escrita e de outras formas de registro, tais como vídeo, GPS, fotografia, mapas e iniciação às primeiras contas.
A saúde é outro tema importante, com o treinamento de jovens Zo'é em saúde preventiva e primeiros socorros. Há uma preocupação também em manter os padrões nutricionais próprios, que têm mantido o povo saudável até os dias de hoje.
Itunaitatá – As condicionantes, estabelecidas pelo governo para que a hidrelétrica de Belo Monte seja construída, protegem a população de indígenas em situação de isolamento voluntário, ao sul do empreendimento. Uma medida de mitigação para a emissão de licença de instalação é a interdição, pela Funai, das áreas de referência desses indígenas. “Existem indícios deles, mas ainda não estão identificados. Atualmente ocupam137 mil hectares de terra, que poderão ser interditadas, na região de Itunaitatá”, informa Meira.
Fonte: Em Questão

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