
Apesar das críticas, desconfianças e temores da população, a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito Urbano (STTU) entende que as intervenções feitas no trânsito de Natal, nos últimos anos, têm surtido efeito. Por isso mesmo, enquanto a cidade não ganha o seu Plano de Mobilidade, previsto para estar pronto até o final de 2008, um dos desafios da próxima administração será a de concluir e operar as modificações que vêm sendo implementadas na cidade.
De um ano para cá foram concluídas duas das mudanças mais marcantes no trânsito da capital, com a criação da faixa exclusiva de ônibus na avenida Bernardo Vieira e a inauguração da ponte Forte-Redinha. Contudo, outra grande intervenção ainda está em andamento: o programa Pró-transporte, na zona Norte da capital. “É uma obra para uns dois anos e está a cargo do Governo do Estado (a Prefeitura entrou com a contrapartida)”, explica o arquiteto e técnico do Departamento de Planejamento da STTU, Xavier de Oliveira Neto.
Ele destaca que uma das atribuições do futuro prefeito será agilizar os processos de desapropriação das terras por onde vão passar as novas pistas asfaltadas ou duplicadas pelo Pró-transporte, cujo objetivo é desafogar o trânsito na região. Entre essas estão a Moema Tinoco e a Conselheiro Tristão, que irão levar o fluxo de veículo da BR-101 Norte e de avenidas como a das Fronteiras, até a ponte Forte-Redinha. O Pró-transporte, contudo, não é o único projeto em andamento na cidade.
“Estamos também com a urbanização da avenida do Contorno (que liga a Ribeira ao Alecrim), passando pelo viaduto do Baldo e indo até a Prudente de Morais”, aponta o chefe do Departamento de Planejamento da STTU, Jaime David Valderrama. A obra já iniciada e prevista para acabar em outubro contempla mudanças nos retornos, modificações no canteiro central e abertura de vagas de estacionamento, além de uma passagem de pedestres por sobre o viaduto.
Os objetivos do projeto são variados. “Primeiro é melhorar uma via que é importante na ligação dessa parte antiga da cidade com a região Sul. Outra razão é que essa avenida se caracteriza como um corredor turístico, próximo a igrejas, a prédios históricos, com uma bela visão do rio Potengi, a Pedra do Rosário, o pôr-do-sol”, enfatiza Xavier Oliveira, destacando novo visual que irá ganhar o trecho, além do aumento do conforto para quem quer conhecer ou simplesmente trafegar por essa parte de Natal.
Além desse, revela Jaime Valderrama, a Prefeitura também está prestes a executar o projeto de construção de um “pontilhão” na rua Amintas Barros, que irá passar por sobre a linha férrea, facilitando o tráfego em uma das vias que tende a se tornar uma das principais alternativas à Bernardo Vieira. Outra idéia que deve ser desenvolvia é a ampliação da obra que mudou o trânsito na Hermes da Fonseca. Inicialmente foi contemplado somente a área entre Petrópolis e as proximidades da AABB, mas os trabalhos devem ser continuados pela Salgado Filho, até à altura da Antônio Basílio.
Contudo, somente o Plano de Mobilidade deverá dar uma noção melhor e mais completa ao futuro prefeito de quais projetos desenvolver, ou priorizar. “Um grande desafio será executar esse plano, porque é ele quem vai detectar de forma global os problemas e delinear as soluções”, conclui Xavier Oliveira.
Pró-transporte divide opiniões na Zona Norte
A chegada do programa Pró-transporte na zona Norte de Natal vem dividindo opiniões. Enquanto alguns moradores da região elogiam a estrutura que irá facilitar o trânsito, outros temem a forma como as desapropriações irão ocorrer. “Estamos esperando. Por enquanto, só vivem dizendo que vão desapropriar para passar a pista, mas por enquanto ninguém disse como”, afirma a dona-de-casa Maria Neves Silva, que há 30 anos vive às margens da avenida Moema Tinoco, no bairro de Lagoa Azul.
A via liga a João Medeiros Filho (Estrada da Redinha) à BR-101 Norte e é pavimentada apenas parcialmente. Hoje, o tráfego é pequeno e muitos pedestres ainda se sentem seguros em caminhar em meio aos poucos veículos. Porém, a expectativa é que o trânsito seja ampliado com a passagem dos veículos que seguem para o litoral Norte e, principalmente, após a inauguração do futuro aeroporto de São Gonçalo.
As mudanças preocupam os moradores. “Às vezes dizem que vão duplicar, outras que não. Acho que para a gente não seria bom, pois aqui tem muitas famílias que teriam de deixar suas casas e ninguém sabe como vai ser”, aponta a comerciante Mazinha Sinésio. “Se for mexer com a gente, é o mesmo que matar todo mundo”, complementa a aposentada Marta Rodrigues do Nascimento, que mora na região há 15 anos.
No entanto, em outro trecho das obras, entre os conjuntos Gramoré e Santa Catarina, a expectativa é das mais positivas. No local, um viaduto está sendo construído para
unir as avenidas da Fronteira com a Rio Doce. “Estava precisando. Por conta da linha do trem, antes a gente tinha de dar uma volta grande para passar de um lado para o outro e gastar muito combustível”, afirma o autônomo Rodrigo Lima e Silva.
O Pró-Transporte representa investimento total de R$ 72,8 milhões, dos quais R$ 64,9 foram obtidos pelo Governo do Estado e R$ 7,8 milhões é a quantia da Prefeitura para custear as desapropriações. O projeto inclui a construção de passarelas na avenida Thomaz Landim, estações de transferência, duplicação das avenidas das Fronteiras, Toncantínea e Rio Doce, com corredores exclusivos para ônibus.
Ainda prevê a construção do viaduto, melhorias da Moema Tinoco e Conselheiro Tristão, implantação de estações de transferência intermunicipais, estações da CBTU, bicicletários, ciclovias, cancelas eletrônicas, terminais de ônibus, de opcionais e melhoria da acessibilidade e sinalização da João Medeiros Filho.
Chefe de fiscalização avalia as intervenções
Atual chefe de Fiscalização da STTU, Walter Pedro acompanhou o desenvolvimento de diversos projetos de mudanças no trânsito de Natal e considera que o saldo dessas intervenções é altamente positivo. “De forma geral, os projetos estruturantes que têm sido desenvolvidos em Natal têm dado boas respostas, principalmente quando priorizamos o transporte público, como na Bernardo Vieira”, exemplifica.
Ele lembra que a secretaria sempre declarou que a prioridade na Bernardo Vieira era melhorar o fluxo dos coletivos, para beneficiar os transportes de massa, e isso já estaria sendo registrado, com um acréscimo na velocidade média desses veículos, o que permite reduzir os tempos de viagem e melhorar o índice de cumprimento dos horários. “O que ainda está faltando um pouco é a melhoria do monitoramento, mas isso já está sendo encaminhado”, aponta.
Walter Pedro cita ainda como um bom exemplo de mudanças no trânsito de Natal a adoção da mão única no trecho inicial da Ayrton Senna, projeto que foi desenvolvido há seis anos, após muita resistência de moradores e comerciantes da região. “Já imaginaram como seria o tráfego hoje naquele local, se não fosse essa modificação?”, questiona o especialista.
Ele reconhece, porém, que somente o Plano de Mobilidade irá permitir a execução de projetos com reflexos maiores no trânsito de toda capital. “Será um plano global, que irá substituir essa nossa forma de atuar hoje em dia, que é mais linear. O plano trará um panorama de toda a cidade e das necessidades”, afirma, lembrando da importância que tem esse instrumento em um município que cresce na velocidade de Natal.
Mudança na Bernardo Vieira não agrada
Apesar da avaliação positiva da STTU e de boa parte dos passageiros de ônibus que transitam pela “nova” Bernardo Vieira, a mudança na avenida, com a redução no espaço para os veículos particulares, o aumento no número de semáforos e o fim dos estacionamentos, recebe críticas até hoje de motoristas e comerciantes.
Para os primeiros, faltam vias alternativas à avenida, por onde eles possam trafegar em melhores condições. Já para os últimos, o movimento de clientes só tem caído, gerando prejuízos. “Piorou, principalmente por causa do fim dos estacionamentos. Hoje, quem quer parar em frente às lojas toma metade do espaço das calçadas, que já são pequenas”, ressalta a gerente de uma revendedora de produtos de beleza, Juliana Silva. Ela calcula em 80% a queda na clientela, após a inauguração da faixa exclusiva, em fevereiro último.
A STTU, contudo, entende que ao invés de levar à falência do comércio local, as mudanças na Bernardo Vieira estão provocando apenas uma adaptação às novas necessidades, com muitos lojistas adquirindo espaços mais amplos, ou mudando de prédio, para seus clientes terem acesso a estacionamentos. A obra representou um investimento total de R$ 4,8 milhões. Em um trecho de 3,5 km, foram construídas 16 estruturas no canteiro central, onde funcionam os pontos de ônibus, cada uma com dois abrigos, para embarque e desembarque.
O projeto incluiu ainda a instalação de um monitoramento dos semáforos, a chamada “onda verde”, para tentar desafogar o tráfego de ônibus (90 por hora em média) e de veículos (40 mil por dia). A intervenção se refletiu no fim dos retornos e também em restrições, ou alterações no sentido de algumas vias, como a Coronel Estevam (avenida 9) e a Interventor Mário Câmara (avenida 6).
Fonte: Tribuna do Norte

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