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28.09.2009

Cresce participação dos países emergentes após reunião do G-20

Apresentador: Olá você em todo o Brasil, eu sou Luciano Seixas e começa agora, o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?

Presidente: Tudo bem, Luciano.

Apresentador: Presidente, na semana passada, o senhor fez discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Qual foi a mensagem que o senhor levou?

Presidente: Luciano, foram três mensagens. Primeira, a questão da crise econômica mundial; segunda, a questão do clima; terceira, a questão da governança global. Ou seja, são três assuntos que estão na ordem do dia, três assuntos que o mundo inteiro está discutindo e três assuntos que interessam ao Brasil. Portanto, foi a mensagem que eu dei na abertura das Nações Unidas.

Apresentador: E o senhor esteve também na cúpula dos líderes dos países do G-20, em Pittsburg, nos Estados Unidos. Qual é o balanço que o senhor faz deste encontro?

Presidente: Primeiro, aquilo que a gente dizia no primeiro encontro, em Washington, no ano passado, foi consagrado agora, com a posição do presidente Obama, de que o G-20 deve ser o fórum para discutir a questão econômica mundial. Portanto, ou seja, é o G-20 na prática substituindo o G-8. Essa foi a primeira grande conquista. A segunda grande conquista é que nós queríamos aumentar a participação dos países emergentes no FMI, ou seja, nós reivindicavamos sete, e nós passamos para cinco. Ou seja, qualquer negociador sabe que quem reivindica sete e conquista cinco, é uma vitória extraordinária. Terceira, foi a do Banco Mundial, que a gente queria ter uma participação de 6%, na véspera, à noite, do encontro, o Obama disse que não era possível negociar o Banco Mundial, que não tinha tido acordo. E o que aconteceu no dia seguinte é que de manhã nós conseguimos fazer com que aumentasse a participação dos emergentes em 3% nas cotas do Banco Mundial. Ou seja, foram três coisas extremamente importantes. Nesse momento, Luciano, o que está acontecendo de novo no mundo é que não tem mais nenhum dono da verdade. Todo mundo senta à mesa, com muita humildade, querendo aprender, querendo saber como é que vai fazer para lidar com a crise econômica, para lidar com o sistema financeiro, redefinir o papel do Estado, e isso eu acho que é o que explica o sucesso do G-20.

Apresentador: Presidente, ainda nessa viagem internacional, o senhor esteve em Isla Margarita, na Venezuela, na Segundo Cúpula dos Países da América do Sul com os Países da África. O que esteve em pauta nesse encontro?

Presidente: Olha, para mim, Luciano, foi um momento de glória, ter participado, durante uma semana inteira, do G-20, que reúne os países mais ricos, e ter saído do G-20 e vir participar do encontro dos mais pobres. Ou seja, para mim foi uma lição de vida. Porque você vê o discurso no G-20 e depois você vê o discurso no encontro dos países africanos e da América do Sul, e aí você compreende melhor que é preciso ter uma nova ordem econômica mundial, que é preciso a gente cuidar de concluir o acordo da Rodada de Doha, na OMC, que é preciso ter mais política de transferência de tecnologia para os países pobres, que é preciso fazer com que a miséria seja extirpada do mundo, com a colaboração dos países ricos. Acho que essa união entre América do Sul e África é uma coisa extremamente rica, para a mudança da geografia comercial e para a mudança da geografia política. Quem viver mais alguns anos vai perceber que vai mudar a situação da governança mundial, a partir da relação que nós estabelecemos com o mundo árabe, com os países da América Latina, Caribe, Caricom, e com o continente africano. Ou seja, é uma nova lógica: nós somos a maioria dos países do mundo. Portanto, nós temos que utilizar essa força nas decisões da governança global.
 
Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do Presidente Lula. Presidente, esta semana o senhor vai a Copenhague, onde será escolhida a sede das Olimpíadas de 2016. Estão disputando Rio de Janeiro, Chicago, Tóquio e Madri. Por que o senhor acha que o Rio deve ser escolhido?

Presidente: Eu acho que o Brasil tem chance de ganhar, Luciano. Primeiro, porque a Espanha já fez uma Olimpíada. Segundo, porque o Japão já fez uma Olimpíada. Terceiro, porque os Estados Unidos já fizeram quatro Olimpíadas e mais quatro de inverno. Portanto, Chicago será a quinta. A União Europeia já fez 16 Olimpíadas. Com Londres, agora serão 17 Olimpíadas. E a América Latina toda fez uma, em 1968, e a América do Sul não fez nenhuma. Segundo, porque o Brasil faz parte dos 10 países mais ricos do mundo e é o único que não realizou uma Olimpíada. Terceiro, é porque eu acho que o Brasil está numa situação de estabilidade econômica e de possibilidade de crescimento econômico, que deve convencer às pessoas das boas qualidades que o Brasil tem para realizar uma Olimpíada. Eu tenho dito que esses são fatores determinantes, porque para os outros países será apenas mais uma Olimpíada. Para o Brasil será a autoafirmação de um povo, será a autoestima de um povo à flor da pele. Por isso que eu acho que o Brasil vai ganhar, porque nós temos a melhor proposta, apresentamos a melhor proposta, temos compromisso da prefeitura, do governo do estado e do governo federal. Eu já enviei carta para todos os presidentes que têm delegados do COI, já enviei carta para cada delegado votante do COI e eu espero que eles tenham a compreensão de que a América do Sul, que tem 180 milhões de jovens, possa realizar uma Olimpíada. E vou trabalhar para isso. Agora, isso é uma disputa. Se a gente não ganhar, nós temos que nos preparar para outra. Mas eu acho que nós vamos voltar de Copenhague com uma vitória.

Apresentador: Ficamos na torcida. Muito obrigado, presidente Lula, e até a semana que vem.

Presidente:  Obrigado a você, Luciano, e até a semana que vem. É importante lembrar que no próximo programa, nós já vamos saber se o Brasil conquistou ou não o direito de sediar as Olimpíadas.

Apresentador: Isso. O próximo programa Café com o Presidente acontece na segunda-feira. Até lá.

Fonte: Radiobrás

Tags: Café com presidente, Governo Lula

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