Pacientes esperando por material adequado. A situação já é conhecida pelo potiguar há bastante tempo, no entanto o Hospital Walfredo Gurgel parece não aguentar mais a crise que vem enfrentando em 2011. Para discutir soluções, ocorreu na manhã desta quartafeira, 14, uma audiência Pública na Assembleia Legislativa.
O deputado Fernando Mineiro, propositor da Audiência Pública enfatizou que o propósito do encontro entre os diversos representantes do setor, foi de achar soluções em comum. “Lançamos a sugestão pelas redes sociais e as pessoas nos enviaram ideias que certamente serão analisadas e é fundamental que esse encontro hoje aqui possa trazer novas discussões para que sejam encaminhadas”, comentou.
Para o atual diretor do hospital, Mozart Dias, o Walfredo Gurgel é a “principal vítima da situação”. “O problema não esta dentro do Hospital e sim fora. Estamos atendendo com 50% acima da nossa capacidade. Não há planejamento que aguente um número desses. Não podemos deixar isso se agravar ainda mais porque aí teremos o caos, e como bem sabemos não se administra o caos”, advertiu.
Os Finais de semana foram apontados pelo diretor, como o período mais crítico com relação à superlotação. “Todos os finais de semana eu tenho a certeza de que pela segunda-feira as macas estarão chegando na porta do hospital, porque está um caso sério a questão de acidentes de trânsito na cidade, sem falar na violência desenfreada. Mas estamos trabalhando agora com plantão de diretoria aos finais de semana para ver como administramos da melhor forma essa situação”, informou.
A demanda de pacientes que saem do interior do Estado para buscar tratamento no hospital da capital, apesar de ter sido apontada como um dos fatores preocupantes, não substitui a demanda da própria capital. “Se tivéssemos um hospital muito bom em Goianinha, em Macaíba, e na estrutura da Grande Natal como um todo, sem dúvida a situação iria melhorar. Atualmente os 250 leitos do hospital estão cheios e não temos como mandar essas pessoas voltarem pra casa”, afirmou.
“A complexidade do Walfredo não se resolve com medidas simples. Tem que ser uma política macro que não se faz em seis meses. A saúde deve ter ações precisas do Governo, as UPAS devem funcionar adequadamente, e deve-se trabalhar, sobretudo na ação primária, ou seja na prevenção e no atendimento adequado por parte desse profissional da saúde, o que só pode acontecer com condições de trabalho”, sugeriu. No setor de acolhimento do HWG há 20 anos, Maria Aldenora, conta que até os equipamentos estão cansados com a situação. “Temos uma equipe de manutenção que vem desempenhando seu trabalho, mas se o Hospital funciona acima da média, as máquinas acompanham esse ritmo e se não forem substituídas vão se desgastar”, frisou.
Uma alternativa para a servidora estaria na reabertura de hospitais fechados em Ceará Mirim e Macaíba, além de uma campanha intensa de saúde preventiva. “É muito importante trabalhar também na prevenção direto nos hospitais, com uma campanha efetiva”, sugeriu. A presidente do Conselho de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coren/RN), Alzirene Nunes, revelou que o pior problema para o enfermeiro e técnico de enfermagem é o déficit de mão de obra no hospital. “É agravante, faltam cerca de 60 enfermeiros de nível médio e 200 entre auxiliares e técnicos de enfermagem”, enumera criticando também o fato de já existirem profissionais concursados esperando apenas por uma convocação que não vem. “Segundo os governantes, a lei de Responsabilidade Fiscal impede que novos funcionários sejam contratados. Mas eu vejo da seguinte forma; que lei é essa que passa por cima de vidas? O que é mais importante, o cumprimento de uma lei ou a preservação de vidas?”, afirmou.
O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado, Tiago Martins, explicou que o TCE tem analisado a nomeação de novos funcionários para o hospital. “O TCE esta analisando a contratação de novos funcionários, mas pela lei de responsabilidade fiscal isso não pode acontecer agora porque o Estado já esta com 100% do seu orçamento comprometido”, argumentou.
“Eu como defensora da saúde, acho que não tem condições do quadro permanecer desta forma. O psicológico é prejudicado, consequentemente o bom atendimento é comprometido. As pessoas vão se afastando por problemas de saúde com ligação direta no dia a dia estressante de trabalho. Discutir o Walfredo Gurgel significa discutir a saúde no Estado”, reforçou Alzirene Nunes.
Novo hospital pode ser solução
O secretário da Saúde do Rio Grande do Norte, Domício Arruda, revelou que além dos 14 novos leitos que serão inaugurados até Dezembro no Hospital Walfredo Gurgel, um novo projeto esta em andamento para a construção de uma unidade traumática na Zona Oeste. “Ainda estamos estudando o projeto, ele ainda não foi aprovado, mas a proposta inicial é que seja um hospital exclusivo de trauma que ficará localizado na Av. Mor Gouveia. A previsão é de que haja 140 leitos de UTI, 60 de pósoperatório, 40 de transição e 8 salas de cirurgia”, enumerou.
Em resposta o deputado Mineiro afirmou que não adianta investir em novas estruturas se elas continuarem a funcionar de forma incorreta. “Não adianta, se não organizar primeiro a rede básica de saúde que está um caos, o Walfredo Gurgel na verdade esta sofrendo com a falha na estrutura básica”, avaliou. Na última terça-feira, 13, durante uma reunião entre a equipe técnica do Hospital Walfredo Gurgel e a Secretaria da Saúde, foi confirmado que R$ 18 milhões de reais serão investidos na reestruturação da rede de Hospitais regionais. “Foi o que Domício nos confirmou ontem, não sei se o valor é suficiente, mas acho que certamente irá aliviar a situação”, confirmou o presidente do Sindicato de Médicos do RN, Geraldo Ferreira.
O presidente do Sinmed frisou ainda que o maior índice de atendimentos envolve acidentes de moto e que os números “se aproximam de um escândalo”. “Os acidentes de moto são as principais ocorrências do setor. É impressionante o número de casos, e acho que uma ação mais efetiva deve ser iniciada urgentemente. É necessária uma política pública de prevenção, não digo para proibir a moto, não é esse o caso. Mas de acompanhamento também deste meio de transporte. Para carros temos lombada, cinto de segurança, e a moto é sempre usada com muita liberdade”, criticou.
Geraldo Ferreira concluiu seu discurso citando que a superlotação é de fato o principal problema no dia a dia de um médico do HWG. “Porque a demanda excessiva no atendimento puxa todo o resto do problema, você não tem como atender de forma eficiente, não tem como fiscalizar a manutenção das máquinas... É claro que tudo seria menos difícil se ao invés de atendermos 40/50 pessoas por dia, esse número baixasse para 10, por exemplo”, avaliou.
Fonte: Novo Jornal

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