Os diagnósticos apontados pelo Enem para a educação pública estadual já eram esperados pela coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte), professora Fátima Cardoso. “Só haverá mudança na qualidade de ensino quando a educação for um exercício de prioridade dos governantes”, sintetizou. Um professor que é obrigado a manter três empregos para sobreviver nunca será capaz de ter uma boa prática em sala de aula, advertiu Fátima Cardoso.
Para ela, falta ao governo do Estado e aos municípios um plano de educação, além de investimentos em melhores salários e material. O Enem mostra todos os anos, disse Fátima Cardoso, o que o Sinte já cobra há muito tempo: que a falta da educação é uma questão pedagógica. “O ensino hoje é mais do que repassar conhecimentos. É preciso trabalhar em sala de aula a realidade de forma contextualizada e problematizar socialmente os conteúdos”. Ou seja, levar o aluno a pensar de forma sistematizada o seu dia-a-dia, incentivando a curiosidade, a investigação. E, atualmente, os professores não estão preparados para isso porque há falhas na formação e inexiste continuidade.
Sindicalista e professora da Escola João Tibúrcio, Fátima Cardoso disse que é difícil manter o interesse dos alunos e o entusiasmo dos professores diante do quadro geral negativo pela falta de investimentos na educação. João Tibúrcio ficou com nota vermelha no Enem. Ou seja, nota abaixo da média ao ponto de o resultado não ser divulgado pelo MEC e com uma taxa de reprovação de 35% dos alunos do ensino médio e 11,7% de taxa de abandono.
As greves do setor, analisou a sindicalista, não são responsáveis pelos índices. Muito pelo contrário. Elas denunciam essa situação de falta de professores, equipamentos e salários dignos. Os problemas apontados pelo Enem têm em 90% dos casos, a falta de política para a educação. Fátima Cardoso ensinou durante 26 anos em escolas particulares, no tradicional Colégio Imaculada Conceição por 21 anos e depois no Hipócrates, e considera que o desempenho das escolas particulares também deixa a desejar. “Esse modelo de educação (do Governo do Estado) está fadado ao fracasso”.
As provas do Enem 2010 que reprovaram as escolas públicas estaduais do Rio Grande do Norte revelam que os governos não priorizam a educação básica no
Estado, comentou a doutora em educação, Cláudia Santa Rosa da ONG Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE).
Cuidar da educação básica é um desafio e o Enem, com os resultados do desempenho no ensino médio, mostra que o país não tem enfrentado o problema da forma correta, disse Cláudia Santa Rosa. O problema, analisou, começa na infância onde a criança não tem acesso à educação ou não usufrui de uma educação de qualidade como deveria. O resultado de uma educação negligenciada, como mostra o exame, aparece mais tarde.
O jovem que foi desamparado por uma educação de qualidade terá dificuldade de compreender conteúdos exigidos no ensino médio. As escolas têm que repensar os modelos de currículos com que estão trabalhando continuamente.
Tanto do ponto de vista do conteúdo quanto da competência na educação infantil, nos ensinos fundamental e médio, advertiu Cláudia Santa Rosa.
Os currículos devem ser públicos. Compartilhados e publicizados para que toda a comunidade — alunos e pais — saiba sobre o conteúdo anual das escolas. “O aluno deve acompanhar o que está no currículo e o que está vendo em sala de aula” para cobrar o conteúdo, comentou especialista em educação. A Prova Brasil, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) e o Enem são diagnósticos que estão contribuindo para mostrar os caminhos de uma educação melhor no país, disse Cláudia Santa Rosa.
A qualidade da educação no RN está comprometida por vários fatores como falta de investimentos, descontinuidade administrativa como troca constante de secretários como nos últimos oito anos, falta de professores para algumas disciplinas, e contratação de professores temporários que não podem ser responsabilizados pelo conteúdo que deixaram de dar em sala de aula.
Neste caso, o professor temporário não será corresponsabilizado porque ele não tem comprometimento com a escola. Há também a falta de professores por doença e outros
motivos. Tudo isso, ao final, pode atrapalhar os 200 dias letivos e as 800 horas de aula por ano. O ano letivo requer alunos e professores em atividades pedagógicas, definiu a professora.
Em curto prazo, o estado deve garantir o fi nanciamento para garantir a presença do professor em sala de aula, currículos de conteúdos atualizados de acordo com o que preconiza o Enem, por exemplo, e escolas em boas condições para o ensino e para o aluno. “A política de valorização do professor, sua capacitação e tratamento
com dignidade são cruciais para uma educação pública de qualidade”, concluiu.
Os diagnósticos apontados pelo Enem para a educação pública estadual já eram esperados pela coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte), professora Fátima Cardoso. “Só haverá mudança na qualidade de ensino quando a educação for um exercício de prioridade dos governantes”, sintetizou. Um professor que é obrigado a manter três empregos para sobreviver nunca será capaz de ter uma boa prática em sala de aula, advertiu Fátima Cardoso. Para ela, falta ao governo do Estado e aos municípios um plano de educação, além de investimentos em melhores salários e material.
O Enem mostra todos os anos, disse Fátima Cardoso, o que o Sinte já cobra há muito tempo: que a falta da educação é uma questão pedagógica. “O ensino hoje é mais do que repassar fala na estrutura, diz diretora do Sinte.
O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) disse que a educação nas escolas públicas estaduais não vai melhorar enquanto o governo não estabelecer uma política de planejamento com ações de curto, médio e longo prazos.
No geral, em termos de Brasil, o Enem mostrou melhorias históricas, porém tímidas em relação ao ensino médio, pontuou Mineiro, embora em nível estadual deixe muito a desejar. A situação chegou ao ponto atual de reprovação no desempenho diagnosticado há anos pelo Enem porque não existe um planejamento para a educação no Estado, disse Mineiro. “Não tem um projeto com planejamento”. Os planejamentos em educação devem ser pensados com no mínimo 25 anos de antecedência. “Educação deve ser pensada para a frente”, destacou o deputado e enquanto não houver uma articulação capitaneada pelo Estado com os governos federais e municipais, e com dirigentes comprometidos, os resultados dos exames serão sempre negativos.
Mineiro citou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que acompanha as metas de qualidade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que estabeleceu o ano de 2022 como prazos para que o país melhore os indicadores de fluxo escolar e médias 6,0 de desempenho nas avaliações, correspondente aos níveis do sistema educacional de qualidade como nos países desenvolvidos. “O diagnóstico do Enem é uma ferramenta para o planejamento”, comentou.
Fonte: Novo Jornal

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