Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Pois bem, a lógica é a mesma quando se juntam milhares de veículos em poucos metros de pista. Para o próximo prefeito de Natal, um dos problemas a ser enfrentado que mais interfere na vida das pessoas é mesmo o “gargalo” do trânsito. Ao todo, são 255 mil veículos em apenas 170 km2 de município, que aliás é em boa parte tomado por dunas, mangues, lagoas praias e pelo Potengi, ou seja, resta bem menos para carros, ônibus e motos que, somados aos das demais cidades da Região Metropolitana, atingem o número de 330 mil.
Durante esta semana, a série “Natal 2009 – Desafios e Metas” irá abordar o tema trânsito, um assunto que deve tirar o sono de qualquer um que venha a ser o administrador da cidade. Isso porque a quantidade de veículos na capital potiguar não pára de crescer. Somente nos últimos quatro anos aumentou quase 30%, o equivalente a 55 mil novos automóveis desde 2004. Esse volume ainda ganha o “reforço” dos veículos de moradores das cidades próximas, que trabalham ou estudam em Natal. Ao todo, a Região Metropolitana reúne mais de metade (53%) da frota do Estado, dos quais 94,1% são veículos particulares.
Para quem convive com a rotina dos congestionamentos, esse é um cenário difícil de ser mudado. “Hoje é muito complicado ter uma pessoa que dê jeito nisso. As ruas são as mesmas, continuam do mesmo jeito, e os carros cada dia vão aumentando mais”, aponta o taxista Marcelo Tarquino da Silva. Ele lembra, porém, que esse quadro não deve levar os administradores a uma postura de passividade. “É preciso fazer algo, tomar medidas urgentes”, defende.
O taxista destaca que alternativas não faltam e buscar soluções é exatamente um dos deveres do poder público. O próprio Marcelo Tarquino tem uma sugestão: “Uma coisa que se podia fazer era, por exemplo, transformar as ruas em mão única, com a Salgado Filho entrando (na cidade) e a Prudente de Morais saindo. A Jaguarari entrando e a avenida ‘6’ saindo, aí acaba todo o problema, porque do jeito que está aí, daqui a um ano vai travar, não anda mais ninguém”, prevê.
Do total de veículos que circulam em Natal, dois terços são carros de passeio e o número não tende a diminuir, já que as concessionárias vêm registrando seguidos recordes na venda de automóveis e também de motocicletas, as quais representam cerca de um quinto da frota natalense. Todos esses veículos têm de dividir ruas, cujo espaço de ampliação, principalmente nas áreas centrais, completamente inexiste. Restam, então, alternativas como os investimentos em transporte público.
Porém, essa opção não assegura resultados rápidos, já que hoje o sistema de transportes públicos de Natal ainda necessita de projetos só executáveis a médio e longo prazo, bem como também não garante solucionar o problema de vez, pois muitos motoristas devem continuar relutando em abrir mão do conforto de seus veículos particulares, para dividirem ônibus ou outros meios de transporte.
Por tudo isso, aliado aos investimentos em transporte público, o futuro prefeito terá de encontrar formas de fazer Natal suportar um tráfego que ganha, mensalmente, mais de mil novos veículos.
Sem opções para fugir dos “gargalos”
No último mês de junho, a TRIBUNA DO NORTE percorreu alguns dos trechos nos quais se concentram os maiores fluxos de automóveis em Natal e registrou em números, o que a população já conhece por experiência: o trânsito da capital é responsável pela perda de um precioso tempo do dia do natalense.
Uma das áreas da Região Metropolitana que mais cresce, Nova Parnamirim, concentra hoje uma população que convive diariamente com o trânsito da capital, embora viva geograficamente em Parnamirim. Da avenida Maria Lacerda Montenegro, a principal via do bairro, até a Ribeira, a equipe da TN conferiu que um motorista gasta cerca de 45 minutos no início da manhã. De ônibus, o percurso demora cerca de 15 minutos a mais. No final da tarde, o trajeto no sentido contrário foi cronometrado em 39 minutos, ou seja, quase uma hora e meia ida e volta.
Os gargalos maiores pela manhã estão já dentro dos limites de Natal, na BR-101 e na avenida Salgado Filho. À noite, os dois pontos são novamente os que mais atrasam o tráfego, porém vias como a Hermes da Fonseca, para quem segue por Petrópolis, e Presidente Bandeira, para quem sai do Alecrim, passam a ter fluxo maior que suas capacidades, fato agravado pelos semáforos que, devido à demanda, já não permitem aos condutores aproveitar a “onda verde”. O “nó” maior, porém, é mesmo no cruzamento da Salgado Filho com Bernardo Vieira, onde se unem esses dois caminhos.
Já da zona Norte (saindo do terminal do Soledade) à Ribeira, pela ponte de Igapó, o tempo registrado em junho foi de 32 minutos pela manhã. Contudo, os trajetos foram feitos há dois meses, quando o fluxo pela ponte Forte-Redinha, então ainda uma novidade para muitos, era intenso. De lá para cá muitos motoristas trocaram a “visita” à nova ponte, pelo percurso menor passando pela antiga.
Com isso, os tempos voltaram a aumentar e os congestionamentos, causados mesmo por pequenas colisões, um veículo quebrado, ou simplesmente a passagem de uma carroça, estão se tornando novamente rotina. Os maiores “gargalos” estão na Bernardo Vieira, que ganhou espaço para os ônibus, mas perdeu o dos veículos, e na Coronel Estevam, no Alecrim. Já no retorno a Mário Negócio, nas Quintas, e a Felizardo Moura, que leva até a ponte de Igapó, apresentam os piores engarrafamentos.
Já para quem vem da zona Sul, opções como a Prudente de Morais também não são tão atrativas. A avenida sofre com congestionamentos, tanto no início da manhã como no final da tarde, nos trechos próximo à rótula do Machadão e no cruzamento com a Bernardo Vieira.
Natal terá um plano de mobilidade
O próximo prefeito de Natal deverá contar com um instrumento que, ao menos, irá apontar o rumo das ações a serem tomadas para a melhoria do tráfego na cidade. Um plano de mobilidade urbana já vem sendo desenvolvido e a expectativa da Secretaria de Transportes e Trânsito Urbano (STTU) é que esteja concluído até o final deste ano, já contando com ações que vem sendo desenvolvidas pela Prefeitura, como a criação dos corredores exclusivos para ônibus, as estações de transferência e mesmo as obras previstas no programa Pró-Transporte, para a zona Norte da cidade.
Além desse levantamento, o próximo ocupante do palácio Felipe Camarão também poderá contar com um mais abrangente, o Plano Diretor de Transportes da Região Metropolitana. Esse estudo deve ser apresentado este mês pelo DER e foi baseado em uma pesquisa de mobilidade, cujos resultados apontaram para o fato de que, das 880 mil viagens motorizadas que os natalenses realizam diariamente, 40% são em transportes individuais.
Dos que utilizam carros, a quantidade dos que dirigem é o dobro dos que vão como passageiros. Ou seja, a grande predominância é mesmo de veículos transitando com apenas um ocupante. E a expectativa é de acréscimo nesse número, já que as facilidades de compra do automóvel próprio incentiva a troca do transporte público pelo individual. A previsão do estudo é que, de 2007 a 2017, as viagens coletivas aumentem 35%, enquanto as individuais 38%. Isso levaria à velocidade média nesse último tipo de viagem a cair dos atuais 36 km/h para 33 km/h.
Fonte: Tribuna do Norte

No último domingo, o jornal Tribuna do Norte publicou pesquisa da Certus sobre "Avaliação dos...

antonia fernandes, Biologa
Parabéns Mineiro, pela coerência em sua prática política.
hudson alves, recepcionista
É isso aí, Mineiro. Tô contigo e não abro, meu voto é seu!!!!
ana lucia moreira , professora
Parabens deputado, fiquei feliz por nossa classe ter um defensor digno. A classe politica...


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