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28.07.2009

Artigo: MaracARTHÚ VIRGíLIO, por Crispiano Neto

Um dos primeiros poemas que escrevi para o site Pátria Latina foi contra o ex-presidente da República e atual presidente do senado, José Sarney. E, como se não bastasse, fui à praça pública recitá-lo em São Luiz, num ato em defesa do mandato de Jacques Lago, ao lado de Beth Carvalho e João Pedro Stédile. Portanto, não dá para me taxar de fã de
Sarney, como estou vendo os trombeteiros do PIG dizendo com quem critica os repentinos críticos de Sarney, que tinham passado cinqüenta anos elogiando-o, ou, no mínimo, calando diante de seu histórico de coronelismo e corrupção.

O que não dá é para achar que é normal jogar um ou dois bois às piranhas – E olha que sou do Rio Grande do Norte, onde Agaciel Maia nasceu, exatamente na cidade de Jardim de Piranhas – e deixar passar toda uma boiada contaminada de brucelose moral, aftosa da honra e carbúnculo ético.

Querem nos fazer esquecer que Sarney foi o candidato do DEM e de grande parte do PSDB à presidência do Senado e que a Secretaria Geral da casa, que é onde se operam as falcatruas, está nas mãos do DEM há 14 anos, desde quando ele se chamava PFL. Mas, deixemos a crise do Senado, onde se pode constatar mais sujeiras nas entrelinhas do que nos discursos expostos ao público. Vamos falar de Arthur Virgílio, esse estapafúrdio personagem que ao longo da crise mais parecia um time mossoroense que num jogo fez sete gols, o adversário não conseguiu fazer nem um e ele ainda foi derrotado. É que naquele jogo o Baraúnas F. C. meteu três gols no adversário e fez quatro gols contra. Virgílio não foi diferente. Quando mais falava mais se embananava. Quanto mais atirava, mais atingia o próprio pé; quanto mais mandava bater, mais o cipó de aroeira lanhava seu próprio lombo. A sua catilinária serviu para esclarecer toda a sua sujeira que a imprensa golpista jogou debaixo do tapete durante todos estes anos. Foi assim que se descobriu que sob o manto protetor e protegido desta
vestal de fancaria, seis aspones engordam os bolsos à custa do Senado que ele diz querer moralizar.

Vânia Maione era diretora do ILB – Instituto Legislativo Brasileiro, ganhando perto de vinte mil reais por mês. Ao tirá-la do cargo Agaciel viu cair sobre si todas as maldições de todos os infernos de Dante. Enquanto manteve-a lá, Agaciel parecia não ter defeitos. Mas foram as acusações a Agaciel que nos propiciaram a descoberta de que além de Maione tinha-se na folha do Senado, o seu esposo Homero e três filhos,
dos quais um, vivia em Paris estudando por conta da “viúva” e ainda uma cunhada de Homero era assessora nomeada por ato secreto, a pedido de Arthur. E descobriu-se até um professor de Jiu-Jitsu ganhando uma fortuna mensal do Senado, morando em Manaus onde nada fazia em prol do
legislativo brasileiro. Verdadeiro golpe baixo.

A Wikipédia foi revisitada e lá estava o filho do Senador arriando as calças na Praça pública de Euzébio-CE e ameaçando de bater num rapaz porque a namorada do jovem não queria lhe ensinar como se chegava ao Cabaré da Tia Bete... E logo se viu que a famosa ameaça de dar uma surra no presidente Lula nascera deste episódio (E ponha-se ódio nisso). Foi reconstituída a frase: “Se mexerem com meu filho, sou
capaz de dar uma surra até no presidente da República”. Tal filho, tal pai.

Viu-se também que quando criticava o Caixa 2 de Delúbio, Arthur afirmou ter recebido 40 mil de caixa 2 para sua campanha e até defendeu FHC por ter recebido dez milhões não contabilizados na sua primeira campanha contra Lula. Imagine-se na segunda. Também foi lembrado que a Corregedoria-Geral da República obrigou-o a devolver 154 mil reais do Ministério do Interior por malversação no seu desastroso mandato de prefeito de Manaus. E até que, quando
Secretário Geral da Presidência em 2002,  mostrou seus dotes
carnavalescos num camarote de empresas privadas no Sambódromo do Rio de Janeiro. Mentiu, dizendo que tinha comprado a camisa por 2.500 reais, mas as camisas não tinham sido vendidas a ninguém, mas sim doada aos “amigos” das empresas patrocinadoras. Ah. Ele, logo ele que adora pedir CPIs, é conhecido como “Carrasco da CPI da Exploração Sexual de Menores”, por ter arrancado a fórceps o
nome do seu amigo, Omar Aziz, então vice-governador do Amazonas, do rol dos acusados de Pedofilia. Ele mesmo nunca convenceu ninguém sobre os motivos porque presenteou ninfetas com dinheiro e jóias de alto
valor.

Quando Ricardo Noblat disse em seu blog que ele venderia uma casa para devolver o dinheiro pago ao pimpolho de Vânia Maione que estudou em Paris às custas do Senado, descobriu-se que ele não declarou nem a casa onde mora, à Receita Federal. Foi aí que ele disse que ia vender
a casa da esposa...

Bom, vamos contar essa história em versos de Literatura de Cordel, que é um jeito mais agradável de contar e de ouvir histórias, mesmo quando elas são tão desagradáveis.


             01
O Brasil vem se sentindo
Agredido e ultrajado
Em função da pajelança
Que se instalou no Senado,
Com mil escândalos profundos
Onde se vê sugismundos
Criticando o mal lavado.
               02
Já está passando de um mês
De trocas de acusações.
Cretinos criticam crápulas,
Capos pré-julgam ladrões...
Cafajestes e canalhas
Vão se enroscando nas malhas
Das suas próprias prisões.
              03
Longe de mim, defender
Sarney, destes Catilinas,
Que extirpam os ventres das
Suas próprias ‘agripinas’,
Já que engatam as próprias rés,
E atiram nos próprios pés
Pisando as próprias propinas!
               04
É o caso de Virgílio,
Esse espírito de urubu,
Vaca louca de presépio,
Bibelô, “Maraca(r)tú”
Cadente estrela sem brilho
Que, igual ao próprio filho,
É um reizinho que anda nu.
                05
Esse príncipe do apito,
Corneta, chocalho e bombo
Quanto mais atira em outros
Mais provoca o próprio tombo;
Quanto mais fala besteira
Mais o cipó de aroeira
Volta-se pra o próprio lombo.
                 06
Ultimamente, por que
Não conseguiu um emprego
Para a esposa do amigo
Fez grande desassossego...
‘Rebucetê’ temerário
Fazendo em pleno plenário
Mil sessões de descarrego...
                07
Ele saiu atirando
Contra tudo e contra todos
E quanto mais ele expôs
Dos outros, lamas e lodos,
Mais apareceram as suas
Trambiqueiras falcatruas
E os seus pecados e engodos.
                08
E ninguém venha dizer
Que o bizarro senador
Faz esse salseiro todo
Com fim moralizador,
Mas porque Agaciel
Tirou a taça de mel
Do seu lábio usurpador
                09
Na verdade, na verdade
Já prevalece outra tese
Que diz que todo este ‘auê’
É bom que se meça e pese
Que é só porque sua Aspone
De nome Vânia Maione
Viajou na maionese...
             10
Maione, pra quem não sabe,
É a esposa de Homero
Aquele que Arthur Virgílio
Quando solta o lero-lero
Diz nas conversas mais tontas
Que é ele quem paga as contas
Do seu cartão saldo zero!
               11
Vânia era quem dirigia
Um tal de ILB
Instituto Legislativo
Brasileiro (não sei quê)...
Uma dessas sinecuras
Que sempre abrigam figuras
Do tal PSDEMB.
               12
Como aquela que engordava
A Luciana Cardoso,
A filha de FHC
Que tinha um cheque pomposo
Na sombra de Heráclito Fortes
Só para cuidar dos cortes
Do seu cabelo charmoso.
              13
Esse mesmo Arthur que diz
Que quer o Brasil nos trilhos
Emprega em seu gabinete
O maridão e três filhos
De Vânia Maione que
No tal do ILB
Engordava os seus novilhos.
               14
E como se não bastasse
Ter essa “Grande Família”
Mamando nas tetas públicas,
Nem todos vivem em Brasília...
Um deles vive em Paris
Pois pra os dele, já se diz:
Virgílio não quer vigília!
               15
Carlos Alberto de Andrade
Nina Neto é o rapaz
Que o senador moralista
Liberou tempos atrás
Para estudar em Paris
E esse crápula infeliz
Diz que é direito demais.
              16
Nina Neto ficou lá
Entre estudo e curtição
Quatro mil euros por mês
Engordando seu saldão;
O pimpolho se formando
E a sua conta pesando
No erário da nação!
             17
E ainda tem outra turma
Em Manaus sem trabalhar,
Um professor de Jiu-Jitsu
Para ao Virgílio ensinar
Tudo quanto é golpe baixo
Pra ele pensar que é macho
E a Lula ameaçar.
              18
Pois bem, esse Arthur ‘Vigia’
Que usa estilo trator
Condenando o Caixa 02
Que ao PT deu dissabor
Recebeu, não se ignora,
40 milhas por fora
Pra se eleger senador.
              19
Esse mesmo “Errei Arthur”
De maneira endiabrada
Defendeu lá no Senado,
Do seu filho a presepada
Que em Euzébio, Ceará,
Andou mostrando por lá,
O Bumbum pra delegada!
             20
Esse filho mal criado
Que o paizão joga confete
Na praça pública de Euzébio
Com arrogância e topete
Para um casal virou fera
Por não dizer-lhe onde era
O Cabaré da Tia Bete.
              21
Quando a notícia espalhou-se
Como de pólvora um rastilho,
Na tribuna do Senado
Arthur Rinchou num estribilho:
Eu dou uma surra urgente
No homem que é presidente
Se mexerem com meu filho...
                22
Foi o mesmo Arthur Virgílio,
Que adora CPIs
Que agiu como carrasco,
Da dos Pedófilos, pois diz
A Wikipédia, e eu li
Que arrancou da CPI
Seu amigo Omar Aziz.
                23
Esse Omar, é seu colega,
Foi vice-governador,
Prostituía menores
Em Manaus, sem ter pudor.
E Arthur também fez mutretas
Presenteando ninfetas
Com jóias de alto valor.
               24
Até pra cuidar da mãe
Praticou atos nojentos
Na conta de trinta mil
Deu pra mais de vinte aumentos.
Não quer que ninguém estranhe
Que pra tratar sua mãe
Gastou mais de setecentos!
               25
E quando foi o prefeito
De Manaus, o senador
Foi forçado a devolver
À União, o valor
De cento e cinqüenta mil...
Verba que tomou Doril
Segundo o Corregedor!
              26
E quando foi Secretário
Geral de FHC
Em camarotes privados
Do Sambódromo fez “auê”
Foi pra Comissão de Ética
E soltou desculpa patética
Mentindo de A a Z.
               27
E quanto à grana emprestada
Em Paris, tem-se a suspeita
De que jamais foi quitada
Nem declarada à Receita
Com Agaciel foi grosso
Mas a grana do seu bolso
Foi por Arthur bem aceita.
               28
Deu calote em Agaciel
Sonegou tributação
Parece até o provérbio:
Ladrão que rouba ladrão...
E foi descoberto agora
Que nem a casa onde mora
Foi declarada ao Leão!
                  29
Este falso paladino
Continua impunemente
Brigando contra a verdade
Agredindo a nossa mente
Massacrando a própria ética
Com ameaça patética
De bater no presidente.
                30
É por isso que nas urnas
Já se tornou rejeitado
Só tirou cinco por cento
Pra o Governo do Estado.
Jamais será reeleito
E o filho nu, pra prefeito,
Foi o quinto colocado...
                 31
O engraçado é que a mídia
Dá espaço ao que ele diz
Não denuncia os trambiques
Notórios deste infeliz
Nem dessa corja que grassa,
Que degrada e que desgraça
A moral deste País.
                32
Mas na lixeira da História
No futuro hei de encontrar
Virgílio junto a Gilmar,
Agripino e toda a escória
Do MaracARTHÚ atômico
Esse time tragicômico,
Essa carrada de antas
Que o PIG pauta e escuta
Regidos pela batuta
Do capo Daniel Dantas!

Tags: Artigo

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