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03.06.2009
Arquiteto e Urbanista e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Em recente entrevista no programa “bate-papo com a cidade”, o secretário municipal da STTU anunciou que a Prefeitura de Natal pretende suprimir a “Praça do Estudante”, situada por trás do Banco do Brasil, por um edifício garagem com objetivo de resolver o problema de estacionamento naquela parte do centro da cidade. A idéia, segundo o secretário, foi “abraçada” pela Universidade Federal a quem pertence legalmente à referida área, anteriormente denominada praça prof. João Tibúcio, doada pelo governo do estado em 1961. Esta perspectiva enseja, para dizer o mínimo, alguns questionamentos. Os espaços livres e verdes abundam na cidade? Esta é uma atitude condizente com uma administração conduzida pelo partido verde? Isto resolve efetivamente o problema de estacionamento?
Algumas considerações são necessárias. Embora atualmente ali nada exista do que devemos esperar de uma praça, ela é, incontestavelmente, um espaço livre urbano. Estes espaços livres urbanos são espaços de domínio público. Estes espaços não são todos iguais, podemos diferenciá-los. Temos os espaços que se destinam com mais força ao equilíbrio ambiental, como o
Parque das Dunas, os que se destinam a recreação, como as praças, quadras, faixas de praia, largos, margens de rios e canais, lagoas, etc. Os espaços de circulação, ruas e estacionamentos, entre outros, complementam nossos exemplos. As praças, especialmente, são os espaços ancestrais fundadores das cidades em geral. Elas, juntamente com as ruas, são os espaços de
articulação e ligação entre as diversas partes das cidades e ainda são espaços de práticas coletivas, que acolhem as mais diversas atividades e usuários. Elas, que foram na Grécia antiga o primeiro palco da democracia, hoje, permanecem como suporte ao exercício da cidadania, garantidos, é bom lembrar, pela Constituição Federal de 1988 no seu art. 182 que diz que “a política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público Municipal, conforme diretrizes gerais, fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.”
Qualquer um dos habitantes desta cidade do sol pode constatar que a cidade, em geral, e o bairro da cidade alta, especialmente, tem pouco verde. Então, podemos nos dar ao luxo de perder uma praça? Os espaços livres devem desaparecer para dar lugar aos carros? Vindo de uma administração do Partido Verde, isto é, no mínimo, contraditório e ocorre no exato momento em que a prefeitura “pensando em garantir uma cidade mais arborizada” conclama os natalenses, empresas e pessoas físicas, a adotarem o verde.
Conclui-se, portanto, que os impostos da “sociedade responsável por isto” são
insuficientes para tal. Será? Urge, neste caso, que medidas concretas sejam tomadas, pois, segundo a própria Prefeitura, “nos últimos 10 anos, a Capital perdeu 30% da cobertura vegetal”. No meu modesto entender, melhor faria a prefeitura se adotasse, quem sabe juntamente com a Universidade Federal, a praça em questão para transformá-la, de fato, em um espaço verde que contrabalançasse a massa construída do seu entorno.
Para além deste alerta crítico, gostaria de deixar algumas sugestões: Usem o vasto entroncamento no entorno da Praça
das Mães para construção de uma garagem no seu subsolo. Fica muito caro? Talvez. Neste caso, como não gosto de meias soluções, melhor seria usar o espaço do “camelódromo” juntamente com o restante da quadra para transformar tudo em um grande estacionamento vertical. O térreo do novo edifício garagem acomodaria todo o comércio existente no local, o “camelódromo” e demais comerciantes. Todos seriam agraciados com um comércio maior e com melhores condições de funcionamento e segurança a título de compensação e incentivo à adesão ao projeto. Guardando-se um afastamento generoso em relação à Rua Ulisses Caldas podemos criar um novo espaço verde. No lugar de perder uma, ganharíamos duas praças, uma
fração de cidade mais ordenada e com mais qualidade ambiental. Uma
solução digna das intenções propaladas pela atual gestão municipal.
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