Djalma de Carvalho Maranhão foi aquele exemplo de político que conseguiu sempre demonstrar coerência entre o discurso e a prática. Nasceu em Natal no dia 27 de novembro de 1915, na casa da avenida Rodrigues Alves 684, Tirol.
É preciso lembrar, principalmente àqueles que não conhecem a história de vida e luta de Djalma Maranhão, que ele deixou como legado a honestidade, a coerência política, o comprometimento com o nacionalismo de esquerda e a defesa por altos padrões éticos, não admitindo sob hipótese alguma, a prática da corrupção em esferas públicas ou privadas.
Comprometido com as classes populares, carismático, homem do povo - Djalma Maranhão, foi um político que lutou desde a adolescência pela transformação social do Brasil. Patriota e democrático, foi um veemente defensor da libertação econômica do Brasil, diante da opressão das potências capitalistas internacionais.
Antes de ser prefeito, Djalma Maranhão elegeu-se deputado estadual em 1954, pelo Partido Social Progressista, o PSP, liderado no Estado por Café Filho. Foi o autor da Lei que deu autonomia ao município de Natal – uma de suas grandes vitórias políticas.
Nas eleições de outubro de 1958, obteve a primeira suplência de deputado federal, na legenda da Frente Democrática Nacional, formada pela UDN, PST e o Partido Trabalhista Nacional, o PTN. De 27 de maio de 1959 até novembro de 1960, ocupou a cadeira na Câmara Federal. Neste curto período, apresentou vinte Projetos de Lei, onde conseguiu liberar significativos recursos para diversas regiões do Rio Grande do Norte.
Na tribuna da Câmara Federal, discutiu os grandes problemas econômicos do Estado, propondo soluções específicas para cada um deles. Tratou com firmeza e desenvoltura a exploração econômica do tungstênio, sob a denominação de chelita e do algodão na região do Seridó. Coloca-se como porta voz da Frente Parlamentar Nacionalista, na defesa dos interesses do povo brasileiro, pela implantação de uma Reforma Agrária que contemple as necessidades dos camponeses e por um governo popular e democrático.
Djalma Maranhão não foi fazer turismo em Brasília, nem tão pouco se omitiu frente aos problemas de seu estado e de seu país. Defendeu com convicção suas idéias e seus pensamentos por um Brasil soberamente livre, economicamente forte, politicamente justo e sem qualquer forma de malversação dos dinheiros públicos.
No exercício da luta política Djalma Maranhão enfrentou diversos desafios com determinação, independência, ousadia e coragem. Excelente articulador político, conduziu as forças progressistas do Estado a apoiar duas coligações de oposição que foram vitoriosas nas eleições de 1955 e 1960, elegendo governador, respectivamente, Dinarte Mariz e Aluízio Alves. A esquerda foi o fiel da balança nesses dois pleitos.
Sem jamais perder a clareza do que estava fazendo, Djalma Maranhão permanece com a mesma identidade política e ideológica de sempre: marxista e nacionalista de esquerda.
Através dessas duas alianças políticas, Djalma Maranhão ocupou o cargo de prefeito da cidade do Natal, entre 1956-1959, nomeado pelo então governador Dinarte Mariz e 1960-1964, legitimado pelas urnas, com 64% dos votos. Deixou a sua marca de administrador honesto e exemplar, quando revolucionou a cidade com um importante plano de obras. A cidade, antes, de argila e areia passa a conhecer o asfalto.
O sucesso das duas administrações de Djalma Maranhão foi alcançado graças ao seu caráter de homem público que conhecia e sabia ouvir os anseios da população. Que incentivava a participação popular, através das discussões dos Comitês Nacionalistas ou Comitês de Rua, o principal instrumento de implementação de políticas públicas sem ajuda dos governos estadual e federal.
A decisão, por exemplo, de erradicar o analfabetismo e priorizar a educação como meta número um de seu segundo mandato à frente da prefeitura foi tirada durante a Convenção dos Comitês Nacionalistas da campanha eleitoral de 1960. Sem recursos financeiros suficientes para construir escolas, o prefeito Djalma Maranhão buscou a solução do problema na inovação: espalhou acampamentos escolares, cobertos de palha de coqueiro, feitos de materiais baratos pelos bairros de Natal. Era a Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler que tinha pressa para alfabetizar quase trinta mil analfabetos, entre adultos e crianças, pouco mais de 20% da população.
Por defender o seu povo e seu país de qualquer forma de exploração Djalma Maranhão foi deposto do cargo de prefeito pelos militares em 2 de abril de 1964. Recusa a proposta do coronel Mendonça Lima, Comandante da Guarnição de Natal, de trocar sua liberdade pessoal pela renúncia ao mandato de Prefeito. É preso e levado ao cárcere do 16º Regimento de Infantaria do Exército. Em 15 de julho de 1964, é transferido para o quartel da Polícia Militar de Natal. Um mês depois, é transferido e confinado à Ilha de Fernando de Noronha. Com problemas de saúde, é levado para o 14º RI, no Recife, onde fica internado no Hospital Militar. Em novembro de 1964 consegue asilo político no Uruguai, onde veio a falecer na capital, Montevidéu, em 30 de julho de 1971, e entrar definitivamente para a história dos grandes heróis nacionais.
* Alexandre de Albuquerque Maranhão é Historiador e Dirigente Sindical.