Dos 802.128 habitantes da capital, dez por cento viviam no ano passado em favelas, vilas, comunidades e áreas similares. Em 2010, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 80.744 moradores da capital residiam em áreas de ocupação irregular e carência de recursos públicos ou urbanização, como saneamento básico e coleta regular de lixo. O percentual é maior do que a média estadual (2,74%), da região Nordeste (6%) e do país (também 6%). As informações foram coletadas no Censo Demográfico do ano passado, que identificou 22.561 domicílios dentro de áreas consideradas precárias nas comunidades chamadas pelo IBGE de aglomerados subnormais.
![]() Capital supera as médias do RN , NE e do Brasil dos que vivem em aglomerados Foto:Ana Amaral/DN/D.A Press |
Em todo o Estado, são 86.718 pessoas vivendo em condições precárias. O Rio Grande do Norte tem 46 dos 6.329 assentamentos irregulares existentes no país, conhecidos como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros. Aqui no Estado, Natal e Mossoró são as únicas com moradias desse tipo. "Cada uma tem características próprias. Na capital essas construções ocupam alguns morros e encostas e Mossoró concentram-se mais em áreas de invasões, nas marginais e embaixo de fios de alta tensão", explicou Tarcísio Soares, supervisor da base territorial do IBGE. Outra diferença é que em Natal muitas das construções são de alvenaria. "Mossoró apresenta barracos, normalmente pequenos".
A capital concentra o maior número de domicílios considerados aglomerados subnormais: 22.533. Mossoró aparece com 1.604 domicílios, e população residente de 5.944 habitantes. Em Natal, os aglomerados subnormais com maior número de pessoas são Aliança (10.451), Pompéia (8.946), Mãe Luíza (5.643), Aparecida (4.459) e África (4.098). Mossoró totaliza cinco aglomerados: Wilson Rosado (população de 1.805 pessoas), Santa Helena (1.573), Fio (1.528), Forno Velho (531) e Tranquilim (507).
Favelas
O IBGE ressalta que o estudo evita classificar todos os domicílios como "favelas". "É um termo pejorativo. Além disso, o IBGE faz uma análise nacional. O que é considerado favela no Rio de Janeiro é chamado de gruta em Maceió, por exemplo. Uma é no morro e outra é numa área baixa da cidade", ressaltou Soares. O instituto também considera algumas áreas que são considerados bairros compostos de aglomerados subnormais em trechos localizados. É o caso de Mãe Luíza, na Zona Leste da capital. "Essa população que vive em aglomerados subnormais são apenas uma parte daquele bairro. Ocorre o mesmo na região da Pompéia, na Zona Norte. Estabelecemos uma área a ser recenseada, e é possível que naquele setor haja residências e moradores em melhores condições, mas que se incluem na estatística", ressaltou o supervisor.
O conceito de aglomerado subnormal foi utilizado pela primeira vez no Censo Demográfico de 1991. Ele busca retratar a diversidade de pessoas que vivem nessas condições. A publicação "Aglomerados Subnormais - Primeiros Resultados" mostra quantas pessoas vivem e quantos domicíliosexistem nessas áreas, algumas de suas características socioeconômicas (composição da população por sexo e idade; analfabetismo; rendimento) e os serviços públicos existentes como rede de coleta de esgoto ou fossa séptica; energia elétrica com medidor exclusivo; rede de água; e lixo coletado diretamente ou por caçamba.
Fonte: Diário de Natal

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